segunda-feira, 2 de maio de 2011

Felizmente há luar 2

O TEATRO ÉPICO:
Debruça-se sobre o Homem, no seu constante devir - é uma luta permanente para transformar a sociedade.
Para isso, usa a técnica da Distanciação Histórica e o realismo.
É preciso procurar um facto histórico mais remoto e compará-lo com a realidade próxima que se quer denunciar. Ao criticar o passado, consegue transpor a mensagem para o presente, obtendo assim um paralelismo fiável.
Os actores não interagem com o auditório. O papel deles é apresentar uma ideia e não criar empatia. Deste modo, atinge-se a lucidez à o público formula juízos de valor.
OBJECTIVO: - Levar a sociedade (público) a tomar consciência da realidade.
PORQUÊ?
- A tomada de consciência leva à acção.
- A acção leva à mudança.
A OBRA:
Tempo da História: século XIX
Tempo da Escrita: século XX
PERSONAGENS:
É possível agrupar algumas personagens segundo as suas posições.
1. Os do Poder:
D. Miguel Forjaz
. Marechal Beresford
. Principal Sousa
2. O Povo:
. Manuel, o mais consciente dos populares
. Rita
. O Antigo Soldado
. Vicente
3. Os Delatores:             
. Morais Sarmento
. Andrade Corvo
. Vicente
As individuais:
. Frei Diogo de Melo, o homem sério da igreja
. António de Sousa Falcão, o amigo
. Matilde de Melo, a companheira de todas as horas
. General Gomes Freire de Andrade
Nota: Vicente é a única personagem que evolui na obra: começa como membro do povo e acaba no grupo dos delatores, elevado a chefe da polícia.
Manuel:
. Representa o povo oprimido e esmagado.
. É lúcido e consciente.
. Usa uma linguagem popular que combina com o realismo da obra.
General Gomes Freire:
. Único
. Com valores, íntegro
. Politicamente liberal, igualitário
Vicente:
. Desrespeita/ Despreza o povo – FALSO HUMANITÁRIO
. É contra o general
. Traidor, calculista
. Ambicioso, materialista
. Subtil, inteligente
. Egoísta
D. Miguel Forjaz:
. Anti-progressista/ retrógrado
. Conservador
. Autoritário
. Medroso
. Sem escrúpulos/ mercenário
. Corrupto – deixa-se corromper e tenta corromper os outros
. Vê o liberalismo como anarquia e caos
. Acha-se superior – absolutista: “Um mundo em que não se distinga a olho nu um nobre de um popular não é mundo em que eu deseje viver”
. Falso demagogo “Deus, Pátria e Família”
Marechal Beresford:
. Mercenário
. Lúcido e consciente
. Mau soldado, mas bom estratega
. Pragmático
. Calculista “não é prudente ainda dizê-lo”
. Ardiloso – trama a confusão mas não a integra
Principal Sousa:
. Corrompido pelo poder
. Deveria semear a paz e semeia o confronto
. Hipócrita
. Contra o liberalismo – odeia os francesas por causa das suas ideias
. Anti-progressista
. Cínico
Frei Diogo:
. O lado bom da igreja
. Homem com compaixão
. Conforta Matilde
. Defende Gomes Freire – corrobora a sua inocência
. Opõe-se ao Principal Sousa
Matilde de Melo:
. É a força do segundo acto
. Está desesperada
. Luta por: lealdade, justiça, verdade
. Digna
. Apaixonada e devota a Gomes Freire
. Por vezes, parece um pouco alucinada
. Culta, vivida
. Forte, lutadora, destemida
. Inteligente
. Grande poder de Argumentação (ver discussão com Principal Sousa)
. Oscila entre dois pólos:
. uma mulher feminina, frágil, consumida pela angústia, a suplicar pelo amor da sua vida, não temendo sequer contrariar princípios.
. uma mulher forte, destemida, que acusa os males do seu povo e denuncia a corrupção e a falta de índole, a tirania.
“Cortam-se as árvores para não fazerem sombra aos arbustos!”
AS DIDASCÁLIAS:
Existem as didascálias normais, que se seguem ao texto, e as didascálias marginais, típicas do teatro de Brecht. Estas corroboram o distanciamento histórico.
Luz/Sombra:
. A falta de luz no cenário (escuridão total) mostra o clima da época – o regime opressor, a ignorância do povo, a obscuridade.
. A intensa luminosidade no Manuel (primeira cena) corrobora a indicação inicial “Manuel, o mais consciente dos populares”. Luz é conhecimento, lucidez.
SÍMBOLOS:
A Moeda:
- a miséria do povo, a esmola
- o compromisso que o povo tem para com o General:
. É como uma medalha de honra para Matilde.
. É símbolo da fé que o povo tem no General.
. Mostra que povo não luta porque não pode.
- a traição da igreja (à semelhança de Judas, a igreja vende-se em nome do dinheiro e do poder)
A Fogueira:
- Por D. Miguel: símbolo de purificação, limpeza
. Quem não está connosco, está contra nós, é preciso afastar.
. Semelhança com a Santa Inquisição
- Por Matilde e Sousa Falcão:
. Profecia de mudança
. Purificação, redenção, chama da esperança
. Renascimento, advento
A Saia Verde:
- Em vida:
. Esperança
. Liberdade - Paris, Revolução Francesa
. Pureza, Inocência - neve branca
- Após a Morte:
. A alegria do reencontro
. A esperança de que a morte do General não seja em vão
. A esperança da mudança
O Preto de Sousa Falcão:
- Luto por si mesmo
- Auto-recriminação por não ter tido a coragem do General
- Se ele partilhava os mesmos ideais que o General, deveria ter dado a cara e lutado com ele
- Arrepende-se da sua cobardia
“Há homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro”
O Título:
- Por D. Miguel:
. “Felizmente há luar” para se verem melhor as execuções e para que o medo conseguido seja maior a abranja mais pessoas.
. A Lua: monotonia, falta de liberdade de acção e expressão.
. Tal como a lua, os regimes déspotas só sobrevivem se os mais fortes estiverem controlados. Brilham com a luz dos outros.
- Por Matilde:
. O luar permite que mais gente veja a fogueira, mais gente vença o medo, mais gente se revolte e se una para mudar.
. O luar aumenta a amplitude da purificação. Mais irão percorrer em direcção à luz, à liberdade, ao conhecimento, à justiça, à democracia.
Relação entre a carga dramática de Matilde, o tempo da história e o tempo da escrita:
Escrito no século XX, em pleno auge do regime ditatorial de Salazar, e remetido para o século XIX, em pleno regime déspota, Felizmente há luar mostra-nos, claramente a censura e a falta de liberdade de acção, pensamento e expressão que se viveu nestes dois tempos.
Matilde aparece como a força do segundo acto, carregada de emoção, provocando o clímax da história. É ela quem denuncia e quem se revolta contra o movimento castrador que se desenvolvia por todo o país, quem ousa enfrentar o poder absoluto em prol da liberdade, da mudança e da democracia. Usa frases simples, mas fortalecidas com grande energia, coragem e direcção: “Cortam-se as árvores para não fazerem sombra aos arbustos”. Mostra-nos que toda e qualquer ameaça ao poder conservador e unidireccional era, imediatamente, aniquilado.
Matilde oscila entre dois pólos: num é uma mulher frágil e comovida que luta exclusivamente pelo marido inocente, vítima dos interesses mais altos do reino; noutro é a mulher forte e destemida que grita as condições do povo, a podridão das relações da igreja, a falta de índole da nobreza e a ignorância do povo. No entanto, em ambos os casos é uma lutadora, ávida por justiça, que acorda o público/sociedade para a lástima de pessoas que governavam em Portugal. As crises são cíclicas. Foi no século XIX, foi no século XX e foi em muitas outras ocasiões anteriores porque o Homem é assim: não aprende.

Felizmente há luar

O tempo da história

No primeiro quartel do século XIX, alguns movimentos tentaram implantar entre nós o regime liberal tendo como figura central o general Gomes Freire de Andrade, que embora nunca apareça, está sempre presente e condiciona toda a estrutura interna da obra.
Em 1817 – primeiras manifestações dos movimentos liberais com a conspiração abortada de Gomes Freire de Andrade;
Em 1834 – acordo de Évora-monte; implantação definitiva do regime liberal. Esta revolução contra o regime absolutista pretendia acabar com a crise económica em Portugal e com a tirania britânica exercida por Beresford que influenciava a Regência portuguesa.

Objectivos da rebelião:

Implantar um regime liberal, tendo como base uma constituição assente em características populares;
A liberdade de religião, de imprensa e de palavra;
A limitação severa às prerrogativas do rei.

O conselho de Regência via nos movimentos liberais uma ameaça de destruição da estrutura tradicional do reino e a supressão dos privilégios de que as classes mais favorecidas gozavam.
O povo, pelo contrário, via nesses movimentos a única solução para ultrapassar a situação em que vivia, depositando neles todas as esperanças.
Conclusão: apesar de a conspiração ter sido descoberta, e execução dos doze indivíduos, incluindo Gomes Freire de Andrade, contribuiu para uma forte tomeda de consciência liberal. Os opositores ao regime convenceram-se das tiranias dos governantes e da impossibilidade de alterar a situação com meios pacíficos. No final da obra, Matilde representa a necessidade e o desejo de que essa luta continue – “Olhem bem! Felizmente – felizmente há luar!”.

O tempo da escrita

1961 corresponde à época da escrita da obra, época de contestações anível interno. Este clima é fruto de uma situação política, económica e social de desagrado geral. Vivia-se sob o regime ditatorial de Salazar e a desigualdade entre classes era cada vez maior. O povo vivia reprimido e explorado, abundava a mi´seria, o medo e o analfabetismo. Vivia-se no obscurantismo. A censura cortava tudo o que era contra o governo e existiam severas medidas de repressão e de toruta. Sttau Monteiro evoca situações e personagens do passado para falar do presente, para poder crititicar a sociedade do seu tempo.

Estrutura Interna – Acção dramática

Inicialmente é-nos apresentada a situação do país. A história surge no conjunto de situações em que cada uma tem uma lógica intrínseca que se revela completa. Em relação às personagens, estas apresentam a função social que o indivíduo deve exercer dentro do grupo em que vive. Todos os elementos físicos como os cenários, a música, a luz são factores importantes e têm um significado indispensável na construção do sentido, isto porque o que se pretende não é reproduzir uma realidade mas sim levar à reflexão, a uma análise crítica. A unidade da peça não depende da sequência de acções mas da personagem que as origina e que é Gomes Freire de Andrade, que apesar de nunca estar presente, funciona como elemento estruturador das diversas situações que constituem os episódios da obra.
Coclusão: a peça propõe então uma reflexão sobre a dialéctica da revolução e da contra-revolução que deve ser encarada numa perspectiva histórica. O herói é gradualmente mitificado pelo povo que revela uma intenção crítica e atribui ao general o estatuto unificador da história contada pelas outras personagens.

Gomes Freire de Andrade e o tempo da acção

O general é uma figura carismática que aflige os grandes e que arrasta os pequenos. Vai permitir ao autor desmascarar situações e denunciar injustiças. A personagem, provocando uma grande concentração da acção, quase permite falar em unidade de tempo. Não podemos, no entanto, ignorar que várias peripécias se desenvolvam até á detenção de Gomes Freire. É Sousa Falcão que nos informa que depois de encerrado numa masmorra, só ao fim de alguns dias lhe deram de comer, o que nos deixa pressupor que tudo se precipita até ao desenlace.

Didascálias

As didascálias são textos que nos fornecem indicações fundamentalmente sobre o cenário, sobre a movimentação das personagens, o jogo fisionómico, o traje, a luminosidade e o som. Ao mesmop tempo que as palavras proferidas pelas personagens surgem como explicação, denúncia e explicitação da linguagem destas. Muitas vezes, têm as funções da descrição do narrador interventivo, de uma focalização interna e de um convite à reflexão, entre outros.

As personagens

Encontramos ao longo da obra dois tipos de personagens: personagens que representam tipos sociais e personagens que para além das causas sociais se impõem pela sua individualidade.

Gomes Freire d’ Andrade – é uma personagem virtual pois não aparece em cena mas está sempre presente. Para o povo é um herói. É a sua figura que move a acção das personagens. Representa simbolicamente a integridade e a recusa da subserviência. A sua capacidade de liderança e os exemplos de coragem representam o Portugal do passado. Gomes Freire é caracterizado pelas outras personagens. É o símbolo da audácia e da intrepidez do povo a que pertence, ele é o elemento que pela simples razão de existir se torna incómodo – “A sua vida inteira foi uma conspiração permanente contra o que esta gente representa”.
Matilde de Melo – é uma mulher de carácter forte, vibrante nas palavras de paixão, corajosa, recusa a hipocrisia e odeia a injustiça e o materialismo. Não suporta a separação do homem que ama. Matilde é o alter-ego (o outro eu) de Gomes Freire, do qual é impossível dissociar o clamor da revolta. Será ela a tentar provar a inocência do general. Como mulher, simboliza o feminino – “Sou a mulher dele, António...e ele...o meu homem”. Arquétipo da mulher que ama e que sofre por amor. Representa o sofrimento íntimo daqueles que vendo-se afastados do ser que os completa, se sentem despojados da unidade que simbolizam. O ser individual supera o ser social, discurso que funciona como resposta ao discurso oficial e que se apoia em textos bíblicos. Reivindica a sua felicidade e a do homem que ama apresentando um discurso de conotações políticas.


Elementos simbólicos

Saia verde – Matilde ao utilizar a saia verde faz com que o luto dê lugar à esperança. O verde simboliza a renovação da natureza, a longevidade e a imortalidade; eventualmente o reencontro entre Matilde e Gomes Freire numa outra vida.
A noite – sofrimento e morte; símbolo do poder maldito e das injustiças dos governadores; “tempo das germinações e conspirações”.
O luar – prefigura a morte da Terra mas pelas suas diferentes fases associa-se a rituais de renovação e de mudança da natureza.

A ambiguidade do título

Tem um sentido disfórico, conotado com o medo e o fim de uma rebelião quando é proferido por D. Miguel. Tem um sentido contrário quando é dito por Matilde. Representa a esperança numa nova era em que o povo se revoltará contra o poder dos governantes. A repetição do advérbio “felizmente” profetiza o dealdar da rebelião que havia de conduzir ao triunfo do movimento liberal em 1820.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Processos emocionais

Definição e diferença entre afecto, emoção e sentimento:
Afecto
. Os afectos têm a ver com aquilo que nos afecta, são algo de que somos dotados;
. São tendências para responder positiva ou negativamente a experiências emocionais relacionadas com as pessoas ou objectos;
. Ter afectos é ser dotado da capacidade de dar e de receber, de amar e de ser amado, de perturbar e de ser perturbado, por exemplo.
. Os afectos exprimem-se através das emoções e têm uma ligação especial com o passado, com as experiências e vivências com as pessoas, objectos, ambientes e ideias. As emoções estão ligadas essencialmente a situações presentes.
. Exprimem-se em sentimentos e emoções;
Emoção
. Tem origem numa causa, num objecto;
. São reacções corporais específicas, observáveis;
. São publicas e voltadas para o exterior;
. São automáticas e inconscientes;
. Polaridade: podem ser negativas ou positivas;
. São versáteis: variam em intensidade e são de breve duração;
. Relacionam-se com o tempo: as emoções têm princípio e fim;
Sentimento
. Não são observáveis, são privados e relacionam-se com o interior
. Prolongam-se no tempo e são de menor intensidade de expressão que as emoções;
. Não se associam a nenhuma causa imediata;
. Surgem quando tomamos consciência das nossas emoções;
Diferença entre sentimento e emoção, segundo Antonio Damasio:
. Usualmente, emoção e sentimento surgem como sinónimos, mas segundo António Damásio, a relação entre ambos é muito estreita.
. Segundo António Damásio, a emoção é um conjunto de reacções corporais, automáticas e inconscientes, face a determinados estímulos provenientes do meio onde estamos inseridos.
. O sentimento surge quando tomamos consciência das nossas emoções, isto é, o sentimento dá-se quando as nossas emoções são transferidas para determinadas zonas do nosso cérebro, onde são codificadas sob a forma de actividade neuronal.
Componentes das emoções:
. Componente cognitiva - Ocorre quando tomamos conhecimento do facto: se não houver conhecimento deste, não se experimenta qualquer emoção;
. Componente avaliativa - Fazemos uma avaliação, agradável ou desagradável, da situação;
. Componente fisiológica - Manifestações orgânicas, corporais face à emoção;
. Componente expressiva - Expressões corporais que permitem mostrar ao outro as nossas emoções;
. Componente comportamental - Comportamento que o sujeito poderá ter face ao outro, é o estado emocional que desencadeia determinado conjunto de comportamentos;
. Componente subjectiva - Relaciona-se com o que o indivíduo sente a nível emocional e interior a que só ele tem acesso, ou seja, é o estado afectivo associado à emoção.

PERSPECTIVAS E TEORIAS DAS EMOÇOES

Perspectiva evolutiva:
Segundo Charles Darwin
. Darwin procurou traços comuns na expressão de emoções em vários povos, e identificou seis emoções primárias ou universais: a alegria, a tristeza, a surpresa, a cólera, o desgosto e o medo;
. Considerou que as emoções têm um papel adaptativo fundamental na história da espécie humana, sendo determinante para a sua capacidade de sobrevivência.

Segundo Ekman
. Mais tarde Ekman investigou tentando procurar uma tese que defendo que povos diferentes teriam emoções diferentes;
. Confirmou a tese de Darwin: há emoções que são universais, independentes do processo de aprendizagem e da cultura em que se manifesta;
. Não nega a influência da cultura nas emoções, na medida em que há regras que controlam a sua expressão. Porem, existe um património comum ao nível das emoções e da sua expressão.

Perspectiva fisiologica

Defendida por Willians James, que considerava que as emoções resultariam da consciência das mudanças orgânicas provocadas por determinados estímulos;
. As emoções resultam das percepções do estado do corpo, das mudanças orgânicas provocadas por estímulos.
. O estado de consciência de emoções como a cólera, a alegria, a raiva, resume-se à consciência de manifestações fisiológicas


Perspectiva cognitivista

. Afirmam que os processos cognitivos, como as percepções, recordações e aprendizagens, são fundamentais para se perceberem as emoções;
. A forma como representamos uma dada situação, como a avaliamos é que desencadeia ou não determinada emoção;


Perspectiva culturalista

. As emoções são processos aprendidos no processo de socialização;
. Consideram que as emoções são uma construção social, que tem que ser aprendidas;
. As diferentes sociedades e culturas definem o tipo de emoções que se podem manifestar e como as manifestar;
. A sua forma de expressão varia de cultura para cultura, dependendo assim do espaço e do tempo;
. Nega a existência de emoções universais: à diversidade cultural corresponde uma diversidade de emoções e das respectivas expressões


Relação entre razao e emoção, segundo Antonio Damasio: 
. Ao contrário do que durante muito tempo se pensou, as emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao funcionamento da razão; estão envolvidos nos processos de decisão, segundo a perspectiva de António Damásio;
. O investigador chama a atenção para o facto de que se fosse apenas a razão a participar nos processos de decisão, seria muito complicado tomar uma decisão;
. A análise rigorosa de cada uma das hipóteses levaria tanto tempo que a opção escolhida deixaria de ser oportuna, ou então, perder-nos-íamos nos cálculos das vantagens e das desvantagens.
. Segundo o próprio autor, “a emoção bem dirigida parece ser o sistema de apoio sem o qual o edifício da razão não pode funcionar eficazmente”;
. A tomada de decisão é suportada por duas vias complementares:
- Representação das consequências de uma opção disponibilizada pelo raciocínio: avaliação da situação, levantamento das opções possíveis, comparações lógicas, etc.;
- A percepção da situação provoca a activação de experiências emocionais experimentadas anteriormente em situações semelhantes
. Damásio remete para o conceito de Marcador somático: mecanismo automático que suporta as nossas decisões. Permite-nos decidir eficientemente num curto intervalo de tempo. Actua como um sinal de alarme automático que diz: atenção ao perigo decorrente da escolha de determinada acção. Este sinal protege-nos de prejuízos futuros, sem mais hesitações, permitindo-nos escolher uma alternativa entre as várias. Os marcadores somáticos aumentam provavelmente a precisão e a eficiência do processo de decisão.
Conclusão:
. Sem emoção, ficaríamos impossibilitados de fazer as escolhas mais simples.
. É nas áreas pré-frontais que se faz a associação entre uma situação complexa e o estado emocional associado a esse tipo de situações (experiências pessoais anteriores). Existe, assim, uma ligação entre o tipo de situação e o estado somático (corpo) que actua como sinal de alarme ou como sinal de incentivo, podendo levar à rejeição ou adopção de uma opção. O nosso pensamento tem necessidade das emoções para ser eficaz.











Tipos de memoria a longo prazo

Dois tipos de memoria: MEMORIA DECLARATIVA & MEMORIA NAO-DECLARATIVA OU PROCEDIMENTAL



A memória procedimental 
•É um tipo de memória a longo prazo constituída por capacidades motoras, habilidades, hábitos e respostas simples (fixadas por condicionamento clássico). 
•Estas aptidões são adquiridas mediante a prática e incluem actos como comer com faca e garfo, guiar um automóvel, andar de bicicleta, a cavalo, tocar piano, escovar os dentes, etc.
•De aquisição relativamente lenta, uma vez adquiridas tornam-se comportamentos quase automáticos, executando-se com pouco esforço consciente e durando, em princípio, toda a vida.





A memória declarativa
 •É um tipo de memória a longo prazo quearmazena factos, informações gerais e episódios ou acontecimentos pessoais. 
•Os conteúdos mnésicos da memória declarativa podem ser reactualizados de forma verbal ou recorrendo a imagens, embora, dada a tendência à reconstrução do material armazenado não seja muitas vezes fiável.
•A memória declarativa subdivide-se emmemóri a episódica e memória semântica.





A memória episódica
 •É a subdivisão da memória declarativa que contém a memória dos eventos ou episódios que vivemos pessoalmente.
•É uma memória autobiográfica que armazena ou grava como se fosse um diário mental os episódios mais ou menos significativos da nossa vida.
•O termo «episódica» não significa passageira ou temporária porque, com maior ou menor fidelidadegrava os lugares onde estivemos, as pessoas que conhecemos e as nossas experiências pessoaisem geral



A memória semântica 
•É a subdivisão da memória declarativa especializada no armazenamento de conhecimentos gerais. 
•Enquanto a memória episódica é uma espécie de diário mental autobiográfico, a memória semântica é a nossa enciclopédia e dicionário mental. 
•Os factos e informações semânticos abstraem da ligação ao espaço e ao tempo, não são referidos enquanto vivências pessoais 
•Isto é, não nos lembramos exactamente onde e quando aprendemos a pronunciar certas palavras e onde e quando adquirimos dados, factos, conceitos e informações gerais

Memoria

Podemos definirmemória como o processo cognitivo que permite integrar, reter e recuperar
informação e recordar o que aprendemos.
• A memória é a função mental que permitereter informações, isto é, aprender;
–o sistema de armazenamento que permite manter informações;
 –a capacidade de evocar, de recordar as informações retidas.


Conceito de memória
 •Sem memória, a aprendizagem não seria possível. Compreenderás melhor esta relação ao analisares o processo mnésico. A memorização,o processo mnésico, envolve três fases ou etapas:
 aquisiçao, retençao e recordaçao

Esclareçamos em que consiste cada uma destas etapas;
 –Aquisição - Fase que corresponde à entrada dos conteúdos na memória
 –Retenção - Fase de armazenamento ou conservação dos conteúdos que podem ser mantidos por diferentes períodos de tempo.
–Recordação - Fase de recuperação, de evocação dos conteúdos que adquirimos e retivemos.

Distinguem-se três tipos de memória:
 –memória sensorial;
–memória a curto prazo;
–e memória a longo prazo


Memória sensorial
 •A memória sensorial é um tipo de memória que tem origem nos órgãos dos sentidos.
 –Por isso, podemos falar de memória sensorial auditiva (ou ecóica), visual (ou icónica), olfactiva, etc.
 •As informações obtidas pelos sentidos são retidas porum curto espaço de tempo - entre 0,2 e 2 segundos.
•Se a informação não for processada perde-se, se for processada passa para a memória a curto prazo
Se nao prestar atenção, as informações perdem-se.
•Prestando-lhes atenção, os dados codificam-se, e são transferidos para um outro depósito: a memória a curto prazo

Memória a curto prazo
 •A memória a curto prazo é um tipo de memória que armazena a informação recebida pela memória sensorial
•Os materiais são retidos durante cerca de30 a60 segundos. •De acordo com as investigações levadas a cabo sobre a memória, podemos conservar na memória a curto prazo cerca de 7 elementos (+/- 2)
O tempo de retenção aumentará se repetirmos mentalmente a informação como, por exemplo, um número de telefone.
•Este tipo de memória é também designada por memória de trabalho, operacional ou activa.
•Os dados da memória a curto prazo, se forem processados, passam para a memória a longo prazo.
•Para que a informação fique armazenada nesta memória é preciso que seja repetida e codificada


Memória a longo prazo 
•A memória a longo prazo é um tipo de memória alimentada pelos materiais da memória a curto prazo que são codificados em símbolos.
•A informação enviada da memória a curto prazo é transformada à medida que vai sendo integrada.
•A memória a longo prazo retém os materiais durante horas, meses ou durante toda a vida.
•Codifica e retém material verbal em função da sua pertinência e do seu significado




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