quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ESTADO NOVO

portugal: o estado novO
O TRIUNFO DAS FORÇAS CONSERVADORAS

Durante os primeiros anos do regime de ditadura instituído com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, a crise política acentuou-se e o défice financeiro não parou de se agravar. Perante as dificuldades, em 1928, os militares fazem um segundo convite a um distinto professor, António Oliveira Salazar, para superintender à pasta das Finanças.
Pela primeira vez, num período de 15 anos, Salazar conseguiu tornar o saldo do orçamento positivo, progredindo a chefe de governo. Salazar, com o propósito de instaurar uma nova ordem politica, empenhou-se na criação das necessárias estruturas institucionais. Ainda em 1930 se lançaram as bases orgânicas da União Nacional e se promulgou o Acto Colonial. Em 1933 foi a vez da publicação do Estatuto do Trabalho Nacional e da Constituição de 1933, submetida a plebiscito nacional. Ficou, então, consagrado um sistema governativo conhecido por Estado Novo, do qual sobressaíram o forte autoritarismo do Estado e o condicionamento das liberdades individuais ao interesse da Nação.
Com Salazar no Governo, inicia-se a edificação do Estado Novo, isto é, a imagem do Estado totalitário português inspirado na ideologia fascista, com particularidades introduzidas por Salazar que deixou o seu nome na identificação do fascismo português – o Salazarismo.
No seu imaginário político, à semelhança de Mussolini, Salazar concebeu um regime:
·         Autoritário
- Limitado pelos princípios da moral e do direito, Salazar rejeitou os princípios liberais que constituíam os fundamentos do regime democrático e, por conseguinte, repudiou o sistema parlamentar pluripartidário.
- O poder executivo era detido pelo Presidente da Republica, mas a verdadeira autoridade era exercida pelo Governo, nomeadamente pelo Presidente do Conselho de Ministros. Com amplos poderes de legislar, apenas tinha o dever de submeter as propostas de lei a uma Assembleia Nacional que, todavia era constituída por deputados identificados com o Governo, provenientes de um único partido – a União Nacional. De uma forma geral, o poder executivo era detido pelo Presidente do Governo que se sobrepunha ao Presidente da Republica.


·         Personalizado no chefe o culto da personalidade/chefe
- Tal como na Itália, a consolidação do Estado Novo passou pelo culto do chefe, onde o chefe era o intérprete do supremo interesse nacional.
- Salazar era apresentado pela propaganda do regime como o “Salvador da Pátria”, a sua imagem estava presente em todos os lugares públicos, era venerado pelas multidões e só não era aclamado porque era avesso às multidões.


·         Conservadora consagração da tradição e da ruralidade
- Salazar também foi uma personalidade extremamente conservadora. Adverso à ideologia marxista e ao seu carácter urbano e industrial, Salazar consagrou a tradição e a ruralidade.
- Convictamente católico, ao carácter negativista dos novos tempos marcados pelo progresso da democracia liberal, do parlamentarismo e da agitação marxista do mundo urbano e industrializado, Salazar procurou incutir na Nação portuguesa os valores do passado glorioso da nossa História, nomeadamente do passado monárquico autoritário, caracterizado pela ordem e pela disciplina.
- Consagrou a ruralidade como imagem de todas as virtudes, contrapondo-a ao mundo urbano industrial, onde imperava a desordem e a indisciplina (gerada pela luta de classes da sociedade industrial).
- Repousou em valores e conceitos morais que jamais alguém podia questionar: Deus, Família e Trabalho.
- Protegeu a religião católica definida como religião da Nação portuguesa.
- Respeitou as tradições nacionais e promoveu a defesa de tudo o que fosse genuinamente português.
- Considerou como imagem da sociedade portuguesa uma família rural, tradicional e conservadora, onde a mulher ocupava o papel de mãe, dona de casa e submissa ao marido, enquanto este se ocupava do ganha-pão.


·         Nacionalistaa exaltação dos valores nacionais
- Uma das grandes preocupações do regime era a União de todos os portugueses no engrandecimento da pátria. Como todas as divisões fragilizavam a Nação, os partidos políticos foram proibidos e todos os portugueses se deviam congregar na União Nacional.
- Para melhor conseguir esta união nacional de todos os portugueses, o Estado empreendeu uma intensa campanha de exaltação dos valores nacionais, através da consagração dos heróis e do passado glorioso de Portugal e de valorização das produções culturais nacionais.


·         Corporativo
- O Estado Novo pretendeu que toda a vida económica e social do país se organizasse em corporações (à semelhança do fascismo italiano).
- As bases do corporativismo foram lançadas por um conjunto de decretos governamentais, onde se destaca o Estatuto do Trabalho Nacional que estabelecia a organização dos trabalhadores portugueses em sindicatos nacionais e a organização dos patrões em grémios, de acordo com os respectivos ramos de actividade profissional. Grémios e sindicatos entender-se-iam na negociação das matérias laborais.
- No sector económico, além dos Sindicatos e dos Grémios, havia ainda as Casas do Povo, onde se faziam representar os patrões e trabalhadores rurais; as Casas dos Pescadores, associações de gentes do mar e seus empresários.
- Incluíam também instituições de assistência e caridade, denominadas como corporações morais, e ainda associações com objectivos científicos, literários e artísticos reconhecidas como corporações intelectuais.


·         Repressivo a liberdade amordaçada
- O exercício da autoridade implicou que o regime se rodeasse de um poderoso aparelho repressivo através do qual se subordinavam aos interesses do Estado os direitos e liberdades dos cidadãos, constitucionalmente reconhecidos.
- Através da instituição da Censura Prévia, era exercida uma rigorosa vigilância sobre todas as produções intelectuais que passava pela eliminação de tudo o que fosse considerado contra a ideologia do regime. Tratava-se de uma verdadeira ditadura intelectual.
- A polícia política, a PVDE (Policia de Vigilância e Defesa do Estado, mais tarde a tenebrosa PIDE), perseguia, prendia, torturava e matava quem manifestasse o mínimo sinal de oposição ao poder instituído, cometendo o total desrespeito pelos direitos do Homem e mesmo da constitucionalidade.


·         Assente em estruturas de enquadramento das massas a inculcação de valores
- Criado em 1933, o Secretário da Propaganda Nacional, habitualmente dirigido por António Ferro, desempenhou um papel muito activo na divulgação do ideário do regime e na padronização da cultura e das artes.
- Foi criada uma milícia armada para defesa do regime e combate ao comunismo – a Legião Portuguesa, organismo onde determinados funcionários públicos deviam estar arregimentados. Destinava-se a defender “o património espiritual da Nação”.
- Também foi criada a Mocidade Portuguesa, de inscrição obrigatória para os estudantes dos ensinos primário e secundário, destinava-se a ideologizar a juventude, incutindo-lhe os valores nacionalistas e patrióticos do Estado Novo.
- Em 1935 fundou-se a FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho) que tinha como intenção, controlar os tempos livres dos trabalhadores, providenciando actividades recreativas e “educativas” norteadas pela moral oficial.
- Em 1936 surgiu a Obra das Mães para a Educação Nacional, destinada à formação das “futuras mulheres e mães”




UMA ECONOMIA SUBMETIDA AOS IMPERATIVOS POLÍTICOS
O carácter totalitário do Estado também se fez sentir na actividade económica e financeira. Sujeitar toda a produção e gestão da riqueza nacional aos interesses do Estado era um objecto constitucionalmente definido. Para o efeito, Salazar abandonou por completo o liberalismo económico e adoptou um modelo fortemente dirigista. Proteccionismo e intervencionismo, tendo em vista a auto-suficiência do país e consequentemente afirmação do nacionalismo económico, foram as principais características da economia do Estado Novo.
A PRIORIDADE À ESTABILIDADE FINANCEIRA
Em resumo, Salazar foi convidado para a tutela das finanças públicas com o objectivo de resolver as endémicas dificuldades financeiras e a sua afirmação política se ficou a dever ao sucesso das suas politicas na consecução do muito ambicionado equilíbrio orçamental.
Salazar impunha aos diversos ministérios uma rigorosa política de limitação de despesas, ao mesmo tempo que lançava sobre a população um conjunto de impostos tendo em vista o aumento da receita.
O “milagre” financeiro também se ficou a dever em muito à rejeição de Portugal entrar na Segunda Guerra Mundial por escolha de Salazar, que conseguiu assim evitar as inúmeras consequências negativas da participação na Guerra, assim como aproveitar as necessidades económicas dos países envolvidos para dinamizar alguns sectores ligados à exportação.
A IMPORTÂNCIA DA AGRICULTURA
Fortemente ruralista, Salazar via nas actividades agrícolas, um dos meios mais poderosos para atingir a pretendida auto-suficiência económica. Empreendeu um conjunto de medidas de fomento das actividades agrícolas:
·         construção de numerosas infra-estruturas tendo em vista facilitar a recuperação e aproveitamento de campos agrícolas;
·         adopção de políticas de fixação de populações no interior rural;
·         amplas campanhas de florestação;
·         dinamização da produção dos bens mais tradicionais na alimentação portuguesa como a batata, o arroz, o vinho, o azeite e as frutas.
De todas as medidas agrícolas, a que mais impacto teve pelos objectivos e resultados foi a dinamização da produção de trigo, visando tornar o país auto-suficiente neste sector ainda fundamental da alimentação da população.
O CONDICIONAMENTO INDUSTRIAL
No âmbito da indústria, os primeiros anos do regime foram marcados pela persistência dos constrangimentos tradicionais do desenvolvimento do país:
·         deficiente rede de comunicações;
·         processos tecnológicos arcaicos;
·         baixos níveis de produtividade;
·         dependência das importações;
·         falta de iniciativa por parte dos investigadores portugueses;
·         manutenção de baixos salários.
A partir da década de 50 assistiu-se a algum desenvolvimento dos sectores tradicionais e ao arranque de sectores tecnologicamente mais avançados como a indústria cimenteira, refinação de petróleos, construção naval, adubos químicos e energia eléctrica.
Não podemos, todavia, falar de um forte arranque da indústria portuguesa. Os constrangimentos eram agora também de índole política. Efectivamente, o incipiente desenvolvimento industrial do país explica-se pelo carácter ruralista do regime e pela excessiva presença do Estado no controlo da indústria nacional e na regulação da actividade produtiva em prejuízo da liberdade dos agentes económicos.
AS GRANDES OBRAS PÚBLICAS
A implementação de amplos programas de obras públicas foi também em Portugal, tal como na Itália e na Alemanha, a manifestação mais visível do desenvolvimento do país. Pretendia-se também dar uma imagem nacional e internacional de modernização de Portugal, e ao mesmo tempo, resolver o problema do desemprego.
Em consequência, melhorou-se a rede de estradas, os portos marítimos, a rede telefónica nacional; edificaram-se grandes complexos desportivos, complexos hidroeléctricos, edifícios de serviço público; deu-se particular atenção aos monumentos históricos.
A POLÍTICA COLONIAL
As colónias desempenharam uma dupla função no Estado Novo. Foram um elemento fundamental na política de nacionalismo económico e um meio de fomento do orgulho nacionalista.
No primeiro caso, porque realizavam a tradicional vocação colonial de mercado para o escoamento de produtos agrícolas e industriais metropolitanos e de abastecimento de matérias-primas a baixo custo.
No segundo caso, porque constituíam um dos principais temas da propaganda nacionalista, ao integrar os espaços ultramarinos na missão histórica civilizadora de Portugal e no espaço geopolítico nacional.
A vocação colonial do Estado Novo motivou, logo em 1930, a publicação do Acto Colonial, onde eram clarificadas as relações de dependência das colónias e se limitava a intervenção que nelas podiam ter as potências estrangeiras.
Para a consecução do segundo objectivo, o regime levou a cabo diversas campanhas tendentes a propagandear, interna e externamente, a mística imperial (como se o império fosse a razão da existência histórica de Portugal).
O PROJECTO CULTURAL DO REGIME
O projecto cultural do Estado Novo também foi submetido aos imperativos políticos, à semelhança do que acontecia nos regimes totalitários do resto da Europa. Quer dizer que, também em Portugal, a liberdade criativa que caracterizou os primeiros anos do século XX, deu lugar a uma criação artística e literária fortemente condicionada pelos interesses políticos.
Ora, os interesses políticos eram, por um lado, evitar os excessos intelectuais que pusessem em causa a coesão nacional e, por outro, dinamizar uma produção cultural que propagandeasse a grandeza nacional.
Para controlar a liberdade criativa foi instituída a censura prévia que submetia os autores portugueses a uma autêntica ditadura intelectual.
Para enquadrar ideologicamente a cultura foi instituído o Secretariado da Propaganda Nacional (SPN) tutelado por António Ferro. António Ferro apresentava-se como:
- um homem de cultura, mas de simpatias controversas: fascista convicto conservador nas suas ideias;
- patrocinador do movimento modernista português, portanto, vanguardista nas práticas culturais.
Ao Secretariado da Propaganda Nacional coube conciliar a estética moderna com os interesses do Estado de forma a inculcar na mentalidade portuguesa o amor à Pátria, o culto do passado glorioso e dos seus heróis, a consagração da ruralidade e da tradição, as virtudes da família, a alegria no trabalho, o culto do chefe providencial, ou seja, o ideário do Estado Novo.

O MUNDO COMUNISTA

O MUNDO COMUNISTA
O EXPANSIONISMO SOVIÉTICO
      O mundo comunista – datas-chave
        1947 – criação do Kominform (coordenava a acção dos diversos partidos comunistas);
       1949 – criação do COMECON;
            - proclamação da República Popular da           China:
        1955 – Fundação do Pacto de Varsóvia;
       1959 – Revolução cubana (Fidel Castro);
       1968 – Primavera de Praga – invasão da Checoslováquia pelas forças do pacto de Varsóvia.
      A sovietização da Europa de Leste
§  Após a 2ª Guerra Mundial, a URSS foi responsável pela implantação de regimes comunistas, inspirados no modelo soviético, por todo o mundo.
§  No último ano de guerra, o Exército Vermelho marcha em direcção a Berlim e liberta, á sua passagem, os países da Europa de Leste: em países como a Polónia, Checoslováquia, Hungria, Roménia e Bulgária, os soldados soviéticos substituem os militares alemães.
§  1945 – 1949: todos os países libertados pelo exército russo se transformam em democracias populares  regimes em que o partido único, sempre de ideologia comunista, governava o país e os seus membros controlavam os altos cargos do Estado opõem-se à “democracias liberais” do Ocidente
    
     Países que aderiram ao modelo soviético:
    
     - 1945: Bulgária;
     - 1947: Roménia e Polónia;
     - 1948: Hungria e Checoslováquia;
     - 1949: República Democrática Alemã – RDA (e Berlim Oriental)
§   as excepções foram a Albânia e a Jugoslávia, países onde os comunistas tomaram o poder por si próprios (depois de expulsarem os invasores nazis e fascistas).
§  Tito ( líder da Jugoslávia entre 1945-80) rejeitou algumas propostas soviéticas para a reorganização económica do pós-guerra, o que lhe valeu a ira de Estaline e o corte de relações com Moscovo (1948);
§  Cultivou uma atitude mais aberta ao Ocidente e tornou-se um dos principais impulsionadores do Movimento dos Não-Alinhados.
§   1950: a “cortina de ferro” entre o Mar Báltico ( a norte) e o Mar Adriático (a sul) que Churchill anunciara em 1946, estava já solidamente implantada.
§   1955: criação do Pacto de Varsóvia (em resposta à entrada da RFA para a OTAN) com fins idênticos        assistência mútua entre os países membros “em caso de agressão armada”.
§   Para manter as repúblicas populares sob controlo, o regime soviético utilizou os tanques militares do Pacto de Varsóvia (1956 – Hungria; 1968 – Praga) para reprimir a contestação social ao poder soviético.

      A extensão do comunismo
§   Ásia – em 1945, apenas a Mongólia era comunista; em 1949, Mao Tsé-Tung, lider do Partido Comunista Chinês proclamou a República Popular da China, vencendo Tchang Kai-CheK, lider apoiado pelos EUA e que havia perseguido os comunistas na década de 20;
     1950-53: Guerra da Coreia, uma guerra que opunha o Norte comunista, apoiado pela URSS e o sul capitalista, apoiado pelos EUA. O final da guerra não unificou o país, que continuou dividido pelo paralelo 38, tornando-se mais uma das questões por resolver da Guerra Fria.
§  América Latina (Cuba) – a partir de 1961, ano em que os EUA apoiaram uma tentativa de tomada de poder por anti-castristas e pós-americanos (desembarque da Baía dos Porcos)
§   África – apoio concedido aos movimentos de libertação em África (Angola, Moçambique, Etiópia).
     A Guerra Fria atinge a totalidade dos continentes, mundializa-se, e paralisa o funcionamento da ONU, onde a URSS usa sistematicamente o seu direito de veto.
      OPÇÕES E REALIZAÇÕES DA ECONOMIA DE DIRECÇÃO CENTRAL
§  A política económica estalinista
1939-45 – a produção industrial da URSS diminuíra c. 40%;
                - o país apresentava um elevado grau de destruição material, à semelhança                       de outros países do Leste Europeu
       Qual será então a prioridade do governo soviético?
§   reconstruir a URSS (sobretudo as regiões que mais haviam sofrido com a presença nazi);
§   recuperar os índices industriais de carvão, aço, petróleo, electricidade que haviam marcado o final da década de 30 e que haviam feito deste país o 3º país mais industrializado do mundo
     A URSS vai retomar o modelo de planificação económica iniciado por Estaline (Planos Quinquenais)
      PRIORIDADES DOS PLANOS QUINQUENAIS DO PÓS- GUERRA (IV E V PLANOS)
§   Reconstrução das infra-estruturas básicas, ligadas à habitação, vias de comunicação e à agricultura;
§   Indústria pesada ou de bens de equipamento: produção de aço, carvão, petróleo, etc, essenciais ao fortalecimento da URSS.
    
     O modelo de planificação económica, bem como, as prioridades estabelecidas/metas a atingir por Moscovo (direcção central) foram também “exportados” para as democracias populares da Europa Central e de Leste
     Recuperação rápida desses países que registaram um crescimento industrial notável.
     No entanto, apesar do crescimento económico verificado na URSS e nos países de modelo soviético, este modelo de planificação começava a evidenciar algumas fraquezas que, a longo prazo, iriam comprometer o seu sucesso:
§   falta de investimento em vários sectores da economia (agricultura, produção de bens de consumo, construção civil) devido à prioridade dada à indústria pesada.
     Consequência: falta de alimentos e outros bens de consumo (vestuário e calçado, por ex.)
§   os elevados índices industriais não foram acompanhados por um aumento dos salários, contribuindo para a deterioração dos níveis de vida da população:
          -salários baixos;
          -horários de trabalho excessivamente                      longos;
          -habitações sem condições mínimas de       habitabilidade;
       - acesso condicionado (e mediante filas de espera) aos bens essenciais de consumo.
§   a direcção de todas as actividades económicas pelo Estado criava uma pesada burocracia que funcionava como obstáculo ao desenvolvimento: há pouca autonomia das empresas para responderem, de forma rápida às solicitações da população.
     1953 – morte de Estaline – chegada ao poder de Nikita Kruchtchev    vai levar a cabo um conjunto de reformas económicas, investindo na agricultura, na produção de bens de consumo e na melhoria das condições sociais.
       A corrida armamentista – datas-chave
       1945 – bomba nuclear (atómica) sobre Hiroshima e NagasaKi (Japão);
       1948 – Bombardeiro intercontinental americano;
       1949 – a URSS dispõe da bomba nuclear;
       1952 – Bomba de hidrogénio norte-americana;
       1953 – Explosão da 1ª bomba H soviética;
       1954 – 1º submarino nuclear norte-americano;
       1955 – URSS constrói submarino nuclear.

      A ESCALADA ARMAMENTISTA E O INICIO DA ERA ESPACIAL
     A conflitualidade latente entre os EUA e a URSS, desencadeou, no pós Segunda Guerra Mundial, uma corrida ao armamento:
    
     1953 – os EUA e a URSS estão muito equilibrados em termos de armamento (as duas potências possuem “armas nucleares” – “as armas atómicas propriamente ditas e os meios para as transportar”, bombardeiros e mísseis)          “equilíbrio do terror”
     O perigo real de aniquilamento levou em
     1956 – criação da Agência Internacional para a Energia Atómica, com vista ao desarmamento, mas não teve qualquer efeito na redução do potencial militar dos EUA e da URSS;
           eram cada vez maiores as somas dispendidas, pelas duas superpotências, em pesquisa e armamento, no sentido de evitarem a supremacia do lado contrário.
Produção maciça de armas EUA nucleares - “tríade”: bombardeiros;
     URSS  mísseis intercontinentais
                 submarinos nucleares
v  aperfeiçoamento dos armamentos convencionais (indispensáveis numa situação de conflito) pois as armas nucleares são utilizadas como armas de dissuasão e de terror.
     O poder de destruição das novas armas introduziu na politica mundial a estratégia da dissuasão                  
Cada um dos blocos procurava persuadir o outro de que usaria, sem hesitar, o seu potencial atómico em caso de violação das respectivas áreas de influência: advertências, ameaças, movimentações de tropas e de material de guerra faziam parte dessa estratégia dissuasora.
     Década de 60 – a proliferação nuclear prossegue:
Ø  multiplicam-se os ensaios nucleares;
Ø alargam-se o nº de países com capacidade nuclear: 1960 – a França;          1964 – a China possui também a bomba atómica.
     Anos 70 – as duas superpotências iniciam negociações directas para travar a corrida nuclear          assinatura de tratados em 1972 e 1979.
A competição entre as duas superpotências “desloca-se” também para o Espaço.
     A URSS adiantou-se e destacou-se na corrida espacial. Assim:
§  1957 - lançamento do 1º satélite no Espaço;
§  1961 – envio para o espaço do 1º astronauta (Iuri Gagarine);
§  1963 – 1ª mulher no espaço (Valentina Tereshkova)
     EUA – estão concentrados em provar a sua superioridade e em 1958 é criada a NASA (agência espacial norte-americana)    
     1961 – no discurso da tomada de posse, Kennedy estabelece como objectivo do programa espacial americano, o envio de um homem à Lua (e o seu regresso em segurança) até ao fim da década de 60.
     20 de Julho de 1969 – Neil Armstrong concretiza o objectivo de Kennedy ao tornar-se o 1º ser humano a pisar solo lunar – “Um pequeno passo para o Homem, mas um salto para a Humanidade”.

      O BIPOLARISMO EM QUESTÃO (1955-1975)
A COEXISTÊNCIA PACIFICA
     1953 – fim da Guerra da Coreia;
     Morte de Estaline e a subida ao poder de Nikita Kruchtchev – inicio de um período de abertura e desanuviamento das relações entre as duas superpotências:
§  Kruchtchev recebe o chanceler da República Federal da Alemanha (Adenauer);
§   reata relações com o presidente Tito da Jugoslávia;
§  No XX Congresso do PCUS (1956)  faz uma violenta critica ao estalinismo, ao culto da personalidade, ao mesmo tempo que denuncia os crimes cometidos pelo seu antecessor (prisões arbitrárias, perseguições e execuções de quadros do partido e de chefes do exército, deportações …);
Ao mesmo tempo que rompe com a orientação estalinista, Kruchtchev expressa o seu desejo de coexistência pacífica com o bloco capitalista;
     Do lado ocidental – Eisenhower aceitou de bom grado este desanuviamento nas relações Este - Oeste (nesta altura, os progressos nucleares da União Soviética e o seu avanço na conquista do espaço, “obrigaram” os americanos a reconhecer que tinham um parceiro ao seu nível que não poderiam eliminar).
     1959 – visita de Kruchtchev aos EUA, contribuindo para o recomeço do diálogo entre os dois blocos e para a política de entendimento, distensão e cooperação.
     O desanuviamento ou a coexistência pacífica não impediram  as crises e tensões localizadas em vários pontos do Globo.
     De facto,  os anos da coexistência pacífica foram pautados pela instabilidade das relações internacionais: períodos de calma e cordialidade alternam com picos de grande tensão, onde os dois blocos continuam a medir forças.

      PERSISTÊNCIA DE CONFLITOS LOCALIZADOS
v  A 2ª crise de Berlim (1958-1961):
     Berlim Ocidental tornara-se uma ponte de passagem para o Ocidente para milhares de cidadãos de Leste, que utilizavam Berlim como forma de alcançar a República Federal Alemã. Eram, sobretudo, quadros técnicos, jovens diplomados que se sentiam atraídos pelos salários altos e pelo consumismo da sociedade capitalista, estas “deserções”afectavam a economia da RDA mas, mais do que isso, afectavam o prestigio do mundo socialista.
    
     Novembro de 1958 – Kruchtchev  ressuscitou a questão de Berlim: propôs aos ocidentais o fim da ocupação da cidade e a sua transformação numa zona neutra, sob a égide da ONU. Caso tal não acontecesse, abria-se a possibilidade de um novo bloqueio, mas desta vez, qualquer tentativa de reabastecer a cidade seria considerada uma agressão directa ao Pacto de Varsóvia.
    
     1961 – a crise acaba por se resolver com a construção, por parte da RDA, de um muro – o Muro de Berlim - que dividiu a cidade de Berlim.
v  A crise dos mísseis de Cuba (1962):
     1959 – fim da guerra civil;
             -  tomada do poder por Fidel Castro e  Ernesto “Che” Guevara;
             -  partida para o exílio do ditador Fulgêncio Baptista, afecto aos EUA;
     A via independente e nacionalista de Fidel Castro colidiu com os interesses dos proprietários americanos: os EUA decretaram um embargo comercial que culminou no corte de relações diplomáticas com Cuba e no apoio concedido a exilados anticastristas interessados na retoma do poder.
     Mal preparada, a tentativa falha na Baía dos Porcos (Abril de 1961).
     Consequência: o novo regime cubano reforça a  sua ligação à União Soviética, único aliado credível contra a interferência americana na ilha.
     Outubro de 1962 – aviões americanos obtêm provas fotográficas da instalação, em Cuba, de mísseis soviéticos de médio alcance, capazes de atingir o território norte-americano.
     Kennedy reage: exige a retirada imediata dos mísseis sob pena de uma retaliação nuclear.
     22 a 28 de Outubro – o mundo vive na iminência de uma terceira guerra mundial. Mas a dissuasão mais uma vez, funciona: Kruchtchev cede e, sob promessa americana de não-agressão ao regime de Fidel Castro, retira os mísseis de Cuba.
     O perigo em que a crise dos mísseis colocara a paz mundial abriu uma nova fase no diálogo entre as duas superpotências. Ligando o Kremlin e a Casa Branca instala-se uma ligação telefónica permanente e directa – o telefone vermelho – para que os respectivos dirigentes se consultassem imediatamente, no caso de qualquer incidente que pudesse provocar a guerra.
v  A crise do Suez (1956):
     Nasser (presidente egípcio) pretendia construir a barragem de Assuão através do financiamento ocidental, financiamento esse que é recusado.
     Consequência: Nasser decide nacionalizar a companhia que geria o canal do Suez (companhia anglo-francesa) e com os lucros da exploração do Canal, o governo egipcio custearia a barragem.
     A França e a Inglaterra iniciam negociações com Israel com vista a um ataque concertado sobre o Egipto (Outubro/Novembro).
    
     A URSS, os EUA e a ONU condenam, de imediato, as operações militares desencadeadas e exigem um cessar-fogo.
     Esta crise tornou Nasser um dos lideres mais prestigiados do mundo árabe, ao mesmo tempo que remetia ao estatuto de potências secundárias a França e a Inglaterra.
v  a guerra do Vietname (1964-1973):
     1954Acordos de Genebra – fim da guerra da Indochina – possibilidade de reunificação do Vietname através de uma consulta popular, a realizar no prazo máximo de dois anos.
     O Vietname do Sul rejeitou esta cláusula e propôs-se lutar, com o apoio norte americano, contra o comunismo.
     Consequência pelo não-cumprimento dos acordos de Genebra: forma-se a Frente de Libertação Nacional (FNL), cujo braço armado – o Vietcong –conta com a ajuda do governo de Ho Chi Minh (Vietname do Norte).
     Perante a escalada de violência, o presidente Lyndon Johnson decide aumentar o grau de intervenção no Vietname, enviando em Março de 1964, 3500  fuzileiros americanos. Nos três anos seguintes seguiriam mais de meio milhão.
     Esta guerra rapidamente se tornou um pesadelo táctico para os generais americanos que, apesar do bem apetrechado exército,  não estavam habituados à luta de guerrilha dos vietcongs nem à vida da selva.
     1968 – os americanos reconheceram a necessidade de procurar uma “paz com honra” e anunciaram a retirada progressiva das suas tropas da região.
     Janeiro de 1973 – o presidente Nixon assina, em Paris, o acordo que pôs fim à desastrosa intervenção americana: mais de 53 mil soldados norte-americanos mortos e quase dois milhões de vitimas vietnamitas, entre civis e militares.