quarta-feira, 23 de março de 2011

Resumo do livro - Historia 2º teste, 2º periodo.

1.3.3. Ascensão da Europa
Depois das Guerras Mundiais que deixaram a maior parte do território europeu destruído, é necessário recuperar a estabilidade que antes havia.
Em 1946, Churchill lança o apelo ao renascimento europeu - pretende edificar os "Estados Unidos da Europa".
São criadas várias europeístas, tal como o Movimento da Europa Unida, a Liga Europeia de Cooperação Económica, o Movimento Socialista para os Estados Unidos da Europa e a União Europeia de Federalistas.
Promoveram-se encontros, debates e congressos.
Incrementaram-se iniciativas diplomáticas entre os estados-membros.
Existiram certas dificuldades em concertar interesses e em definir o futuro modelo político da Europa pois, enquanto os mais ousados advogavam uma Europa Supranacional (Federalista), os outros admitiam apenas uma confederação de estados independentes.


- Da CECA à CEE
Para que houvesse cooperação no território europeu, existiu, em 1959, a Declaração Schuman, que visava a cooperação entre a França e a Alemanha no domínio na produção do carvão e do aço. Desta iniciativa, criada por Jean Monnet, resultou, em 1951, a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), a que aderiram, além da França e da Alemanha, a Itália, a Holanda, a Bélgica e o Luxemburgo.
A CECA foi a "rampa de lançamento" para uma união económica mais abrangente, chamada CEE (Comunidade Económica Europeia), que foi criada em 1957 pelo Tratado de Roma.
Este tratado defendia:
a promoção de um desenvolvimento harmonioso das actividades económicas, atraves do estabelecimento de um mercado comum e pela aproximação progressiva das políticas económicas dos estados membros;
a expansão económica contínua e equilibrada;
a existência de relações mais estreitas entre os estados que as integram;
Para que estes objectivos fossem cumpridos, a acção da CEE implica:
a eliminação dos direitos aduaneiros, entre os estados-membros;
o estabelecimento de uma pauta aduaneira comum e de uma política comercial comum em relação aos estados terceiros;
a abolição dos obstaculos à livre circulação de pessoas, serviços e capitais;
a adopção de uma política comum no domínio da agricultura;
a instituição de um Fundo Social Europeu.
A livre circulação de mercadorias fez com que houvesse um forte aumento das trocas intercomunitárias, em que, em 1970, a CEE já era a primeira potência comercial do Mundo. Com este progresso económico, rapidamente a Europa dos Seis alargou-se, em que aderiram o Reino Unido, a Dinamarca e a Irlanda.


1.3.4. A segunda vaga de descolonizações
A política de não-alinhamento


- A descolonização africana
A descolonização africana é iniciada nas regiões arabizadas do Norte de África, que contestavam o domínio europeu. A Líbia obtém a independência em 1951, e, em 1956, seguiam-se as regiões de Marrocos e Tunísia, que antes eram dominadas por França.
São organizados movimentos nacionalistas, que visam a recuperação da identidade cultural e nacional dos povos colonizados. Os líderes destes movimentos promovem a revalorização das raízes dos seus países, e lutam pela independência, que engloba a luta política e a luta contra a pobreza e contra o atraso económico.
O processo independista contou com o apoio da ONU, que estava ao lado dos povos dominados. Em 1960, foi aprovado, em Assembleia-Geral, a Resolução 1514, que defendia o direito à autodeterminação dos territórios que estejam a ser dominados por nações estrangeiras, e condenava as acções armadas destas nações que tentavam impedir esta resolução.
Em 1960, foram descolonizados 18 países, maioritariamente africanos.


- Um Terceiro Mundo
Entre 1946 e 1976, foram constituídos cerca de 70 novos países, espalhados pela Ásia e pela África. A maioria destas nações partilha uma característica: o mesmo passado de domínio colonial e o mesmo atraso na economia. Todos estes constituem o Terceiro Mundo, expressão que designa os países excluídos do desenvolvimento económico, que são as regiões mais pobres e populosas do Mundo. Este Terceiro Mundo manteve-se sob domínio dos países ricos, já que dependiam economicamente dos mesmos. A exploração de matérias-primas, mineiras e agrícolas por parte dos países ricos contribuiu para o atraso destas regiões, já que exloravam recursos destes países economicamente frágeis, sem quaisquer benefícios para os mesmos.
Esta situação foi considerada como um "neocolonialismo", pois foi um domínio que sucedeu o colonialismo, em que os países mais desenvolvidos exercem a sua supremacia técnica, financeira e económica.


- A política de não-alinhamento
Os países saídos da descolonização, movidos pelos seus interesses comuns, esforçam-se por estreitar os laços que os unem e por marcar posição na política internacional. Em 1955, foi convocada uma conferência, por parte da Índia, Indonésia, Birmânia, Ceilão e Paquistão, que tinha como objectivo definir as linhas gerais de actuação dos países que foram recém-formados.
Esta conferência, que foi feita em Bandung, na Indonésia, teve um efeito notável no processo descolonizador. Foi o ponto de partida para a afirmação política dos povos do Terceiro Mundo.
Os principios desta conferência, como a condenação do colonialismo, a rejeição da política de blocos e o apelo à resolução pacífica dos diferendos internacionais, fizeram com que fosse criado o Movimento dos Não-Alinhados. Este movimento foi criado oficialmente na Conferência de Belgrado, em 1961, em que visavam o estabelecimento de uma via política alternativa à bipolarização mundial.
O movimento atraiu muitos países da Ásia, América e África, e tornou-se o símbolo do sonho da independência e da liberdade das nações mais frágeis, expostas às superpotências e ao mundo desenvolvido em geral.
Este movimento, muitas vezes designado por neutralismo, defendia uma política activa, positiva e construtiva, e defendia o estabelecimento da paz mundial.


1.4. O termo da prosperidade económica: Origens e efeitos


Após os anos de prosperidade económica, os "trinta gloriosos", entre os anos 1975 e 1982, existiu um agravamento da crise, em que o crescimento económico foi nulo.
Esta crise afectou principalmente os sectores siderúrgico, têxtil e a construção naval e automóvel. Muitas empresas faliram, e, em consequência, o desemprego aumentou drasticamente. Esta recessão, causada pela diminuição dos rendimentos, cujos efeitos se multiplicaram rapidamente, e pela desaceleração dos investimentos, fez com que a inflação subisse incontrolavelmente. Este fenómeno ficou designado como estagflação, pois junta as palavras estagnação e inflação.


- Os factores da crise
A recessão da economia nos anos 70 deveu-se, sobretudo, à crise energética e à instabilidade financeira.
Antes de existir esta crise, os países industrializados dependiam do petróleo. E, em 1973, os países do Médio Oriente, membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), fizeram deste recurso uma arma política: decidem quadruplicar o preço do barril de petróleo e reduzir a produção do mesmo.
Em 1979, a situação agrava-se, devido a novas subidas do preço do petróleo, devido a crise política sentida no Irão e devido à guerra entre o Irão e Iraque.
Com estes choques petrolíferos provocaram um aumento acentuado dos custos de produção dos artigos industriais, que, consequentemente, levaram ao encarecimento dos artigos postos à venda ao público.
Outro factor relevante para a existência da crise foi a instabilidade financeira, pois o sistema monetário internacional estava desregulado, devido à excessiva quantidade de moeda em circulação nos EUA que levou à não-convertibilidade do dólar em ouro.


- Uma crise relativa
A crise dos anos 70 introduziu um novo ciclo económico, que abrange períodos de crescimento e de estagnação. Ainda que a um ritmo lento, o crescimento económico manteve-se, e alguns sectores industriais reconverteram-se, enquanto outros, ligados às novas tecnologias, conheceram um forte impulso.
Registou-se também um aumento do sector terciário e o comércio internacional não teve nenhuma decaída, embora o seu crescimento tenha desacelerado.
Em termos sociais, as estruturas do Estado-Providência cumpriram o seu papel, amparando o desemprego e evitando situações de miséria.


Unidade 2 - Portugal: do autoritarismo à democracia.
Linha Conceptual: A Segunda Guerra Mundial não trouxe modificações notáveis ao nosso país. Portugal, governado por um regime que fez com que o seu país evoluísse lentamente, acumulando distâncias relativamente ao progresso do mundo ocidental. Enquanto alguns viviam a prosperidade económica, como os Trinta Gloriosos, Portugal enfrentava dificuldades perante os valores da ruralidade que enformaram o salazarismo. O país foi-se industrializando, mas mantinha-se pobre e atrasado, o que levou a uma forte emigração. Nos anos 60, cerca de 1 milhão de portugueses abandonam o seu países, tendo como destino nações mais desenvolvidas.A ditadura consegue sobreviver às tendências democráticas do pós-guerra. O regime encenava actos eleitorais, mas sem resultado. Salazar resiste mesmo à Guerra Colonial. Em 1968, é afastado do poder, e vem a ser substituído por Marcello Caetano, e tenta viabilizar o regime, mas sem sucesso. Em 25 de Abril de 74, um golpe militar derruba o regime e leva a uma nova etapa na História do país. Nos dois seguintes anos, viveu-se horas dificeis, com afrontamentos políticos e tensões sociais constantes, e enfrentou-se o drama da descolonização. Mas restabeleceu-se as liberdades cívicas, que foram consolidadas e acabaram por ocupar o seu devido lugar entre as nações democráticas do resto do Mundo.


2.1.1. Coordenadas económicas e demográficas
- A estagnação do mundo rural
A situação do mundo rural português mantinha-se pouco favorável: o país agrário continuava sobrepovoado e pobre, com indices de produtividade que nem sequer chegavam a metade da média dos restantes países europeus.
Desde os anos 30 que a situação da agricultura mantinha-se igual. Existia uma desigualdade de propriedades, já que no Norte, predominavam os minifúndios, que não possibilitavam o uso de mecanização, e no Sul predominavam latifúndios, propriedades que não eram aproveitadas totalmente, devido à sua extensão.
A situação dos rendeiros era outro problema, já que mais de um terço da área agrícula era cultivada em regime de arrendamento precário, o que era pouco favorável ao investimento.
Face estas situações de estagnação, criaram-se planos de reforma consistentes, que tentavam assegurar a mecanização e o rendimento ao seu proprietário, e, assim, contribuir para o aumento do consumo de produtos industriais. Estas medidas foram enunciadas no II Plano de Fomento, em 1959. Mas ergueu-se contra elas a oposição dos latifundiários do Sul, que não permitiram o uso destas medidas.
As alterações acabaram por não serem feitas na estrutura fundiária e a política agrária acabou por se esgotar em subsídios e incentivos que pouco efeito tiveram.
Na década de 60, a agricultura viu-se relegada para segundo plano e foi considerada como um caso sem solução. Existiu um decréscimo acentuado na taxa de crescimento do Produto Agrícola Nacional e um êxodo rural que levou ao esvaziamento das aldeias do interior.


A emigração
A emigração reduziu-se drasticamente nas décadas de 30 e 40, devido à Grande Depressão, e depois à Segunda Guerra. Existiu um grande crescimento demográfico, que, sem escoamento, sobrepovoou o país, que levou a um excesso de mão-de-obra que a economia não foi capaz de absorver. Este aumento demográfico resultou numa imensa debandada dos campos, quer em direcção às cidades do litoral, quer ao estrangeiro.
Entre 1946 e 1973, cerca de 2 milhões de portugueses emigraram, metade dos quais na década de 60, que fez com que se tornasse o período de mais intensa emigração da História. Nesta década, para além da atracção dos altos salários do mundo industrializado, houve também o efeito da guerra colonial. O recrutamento constante para a guerra de África foi um dos factores que levaram à fuga para o estrangeiro.
O contingente migratório português abrangia trabalhadores em actividade, predominantemente no escalão etário entre os 15 e 19 anos. Tiveram como rumo a Europa, a América do Norte e do Sul. Mais de metade desta imigração foi ilegal, pois a legislação portuguesa impunha várias restrições. Por isso, sair "a salto" foi a opção de muitos portugueses.
Não obstante esta política restritiva, o Estado procurou salvaguardar os interesses dos emigrantes, em que foi celebrado, no inicio dos anos 60, acordos com os principais países escolhidos como destino. Estes acordos permitiram a obtenção de regalias sociais e a livre transferência de remunerações. O país passou a receber um montante muito consideravel, pois as remessas dos emigrantes representavam um valor considerável do PIB nos anos 60. Este factor contribuiu para o equilibrio da nossa balança de pagamentos e para o aumento do consumo interno, e levou a que o Estado despenalizasse a emigração clandestina e suprimisse alguns entraves.
Mas a emigração contribuiu para a fuga de trabalhadores em idade activa, e contribuiu para o envelhecimento da população.


- O surto industrial
Portugal, devido à dependência do fornecimento estrangeiro em matérias-primas, energia, bens de equipamento, e outros materiais, levou a um alerta para a crise agrária, mas também deu força àqueles que defendiam a industrialização como algo imprescindível ao desenvolvimento nacional
Em 1945, a Lei do Fomento e Reorganização Industrial estabelece as linhas da política industrializadora dos anos seguintes, que tinha como objectivo final a substituição das importações.
Entretanto, Portugal assinou, em 1948, o pacto fundador da OECE, integrando-se nas estruturas de cooperação previstas no plano Marshall. Embora com fraca ajuda financeira americana, a participação na OECE reforçou a necessidade da existência de um planeamento economico, que conduziu à elaboração dos Planos de Fomento, que, a partir e 1953, caracterizaram a política de desenvolvimento do estado novo. O I Plano de Fomento prevê investimentos públicos (7,5 milhões de contos) a distribuir por vários sectores, em que a criação de infra-estruturas tem especial atenção. No II Plano (1959-1964), alarga-se o montante investido e elege-se a indústria transformadora como sector privilegiado neste investimento (siderurgia, refinação de petróleos, quimicos, celulose...). Apesar das diferenças nos dois planos, estes mantêm intocado o objectivo da substituição das importações e a Lei do Condicionamento Industrial.
Os anos 60 trouxeram alterações significativas à política económica portuguesa. No decurso do II Plano, o nosso país viria a integrar-se na economia europeia e mundial: em 1960, Portugal torna-se um dos fundadores da EFTA - Associação portuguesa de Comércio Livre, que reunem 7 países que não pretendiam aderir à CEE, e, ainda em 1960, são aprovados acordos com o BIRD e com o FMI, e, dois anos depois, assina-se o protocolo com o GATT.
A adesão a estas organizações marca a inversão da política de autarcia do Estado Novo. O plano Intercalar de Fomento (1965.67) enfatiza as exigências da concorrência externa e a necessidade de rever o condicionamento industrial, que é considerado desadequado às novas realidades. O grande ciclo Salazarista aproximava-se do fim.
Em 1968, a nomeação de Marcello Caetano para o cargo de presidente do Conselho inaugura uma orientação completamente nova em termos de indústria e crescimento económico. Passa a existir um normal funcionamento da concorrência e do mercado, a concentração empresarial, a política agressiva e exportações e a captação de investimentos estrangeiros, sobretudo se portadores de novas tecnologias. Para além disto, apela-se ao dinamismo empresarial. Esta política fez com que se consolidasse os grandes grupos economico-financeiros e houvesse um aceleramento do crestimento nacional, que atingiu o seu pico. Mas mesmo assim, ainda eram sentidas as exigencias da guerra colonial e o seu enorme atraso face à Europa desenvolvida.


- A urbanização
Nos anos 50 e 60, Portugal teve uma urbanização intensa, que absorveu o êxodo rural. As cidades do litoral oeste cresceram, principalmente entre Braga e Setúbal, onde estavam concentradas as indústrias e os serviços. Em 1970, as cidades abrangiam 3/4 da população. Nas principais cidades, Lisboa e Porto, os suburbios expandiam-se, onde fixavam-se os que não podiam pagar o custo crescente das habitações no centro das cidades. Nestes arredores, estava concentrada a maioria da população da cidade em questão.
Esta expansão urbana não foi acompanhada da construção de infra-estruturas necessárias. Estavam em falta as habitações sociais, as estruturas sanitárias e uma rede de transportes eficiente, capaz de servir a maioria da população. Devido a estes factores, aumentaram as construções clandestinas e os bairros-de-lata, as condições de vida tornam-se precárias, e o aumento da criminalidade e da prostituição é notável. No entando, o crescimento urbano teve também efeitos positivos, pois contribuiu para a expansão do sector dos serviços e para o melhor e maior acesso aos estudos e aos meios de comunicação.
Com estas mudanças, os portugueses foram-se abrindo às tendências de mudança que marcaram os anos 60. Gradualmente, os portugueses aderiram a uma mentalidade mais cosmopolita, o que aproximou Portugal dos normais hábitos comportamentais europeus.


- O fomento económico nas colónias
Até aos anos 40, estava a ser desenvolvido um colonialismo típico, por parte do Estado Novo, que baseava-se na produção de produtos primários e no desencorajamento do desenvolvimento da indústria. As décadas seguintes iriam ser marcadas pelo reforço da colonização, pelo aumento do investimento público e privado, e pela abertura ao capital estrangeiro.
Os investimentos do Estado nas colónias, a partir de 1953, foram incluídos nos Planos de Fomento, que destinaram ao Ultramar valores crescentes e significativos.
Criaram-se infra-estruturas, como caminhos-de-ferro, estradas, pontes e aeroportos, e desenvolveram-se os sectores agrícolas (açúcar, café, algodão) e extractivo (diamantes, petróleo), virados para o mercado externo.
O sector industrial teve um crescimento acentuado nos anos 50 e 60 nas duas colonias (Angola e Moçambique), devido à progressiva liberação da iniciativa privada, pela expansão do mercado interno e pelo reforço dos investimentos nacionais e estrangeiros.
O fomento económico das colónias recebeu um forte impulso após o início da guerra colonial. O início do conflito coincidiu com a época de maior dinamismo da economia portuguesa e veio reforçar a necessidade de uma presença nacional mais sentida. A ideia de coesão entre Portugal e as suas colónias viu-se reforçada com a criação do Espaço Económico Português (EEP), que previa, no espaço de 10 anos, a constituição de uma área económica unificada. No entando, a subordinação das economias ultramarinas e os diferentes graus de desenvolvimento dos territorios coloniais acabaram por inviabilizar este mercado unico. O projecto EEP, embora fracassado, representa uma parte importante do esforço feito pelo Estado Novo para manter o Império Português.


2.1.2. A radicalização das oposições e o sobressalto político de 1958


Em Maio de 1945, fizeram-se manifestações que celebravam a derrota da Alemanha na guerra. As democracias, com a sua aliada URSS, tinham vencido a guerra, e mostrado assim a sua superioridade face os regimes de direita. Salazar percebeu que o seu regime deveria democratizar-se, ou corria o risco de acabar.
Neste contexto, o Governo antecipa a revisão constitucional, dissolve a Assembleia Nacional e convoca eleições antecipadas. Um clima de optimismo é sentido e acredita-se na força da tendência democrática sentida na Europa. A 8 de Outubro de 1945, nasce o MUD - Movimento de Unidade Democrática - que engloba as forças que anteriormente eram clandestinas da oposição.
Este movimento dá inicio à oposição democrática, que teve muitas adesões. O MUD formulça algumas exigências, que considera essenciais, tal como o adiamento das eleições opr seis meses, a reformulação dos cadernos eleitorais, e defendia a liberdade de opinião, de reunião e de informação.
Mas nenhuma das exigências do MUD foram satisfeitas, e o movimento acabou por desistir, pois considerava que o acto eleitoral, perante as circunstancias, nao passaria de uma farsa. Devido à entrega das listas de adesão do MUD ao Governo, muitos dos elementos do mesmo foram interrogados, presos ou despedidos do seu trabalho.
Entretanto, o clima de guerra fria preocupava a Europa, e as democracias orientais orientaram-se para a contenção do comunismo. Em 1949, Portugal tornou-se membro fundador da NATO. Nesse mesmo ano, as forças da oposição voltam a ter uma oportunidade de mobilização, desta vez em torno da candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais de 49. O país entusiasmava-se, pois um candidato da oposição concorria a presidente, mas o republicano Norton de Matos desistiu pouco antes das eleições.
Nos anos seguintes, a oposição democrática tornou-se fraca, até que, em 1958, Humberto Delgado candidata-se, o que leva a uma tensão na área política. O "General Sem Medo" mostrou uma determinação enorme, e a sua campanha mobilizou multidões, pois visava que, se fosse eleito, demitia Salazar. O Governo tentou, de todas as formas, mobilizar Humberto Delgado, alegando que este provocava agitação social e desordem.
O resultado das eleições mostrou que a maioria da população havia votado no contra-almirante Américo Tomás. Este resultado não tinha sido convincente, e Salazar chegou à conclusão de que deveria de anular o sistema de sufrágio directo, para evitar um golpe de Estado constitucional. Os anos entre 1959 e 1962 foram marcados por um forte recrudescimento da oposição. Enquanto a instabilidade instaurava-se constantemente, em que foram tentados dois golpes para derrubar o regime, a ditadura mostrava o seu lado autoritarista, pois foram presas mais de 1200 pessoas e foram reprimidas manifestações.
Tudo isto deixou o Governo de Portugal como uma má imagem, para os países de fora. Esta má imagem é reforçada com o exílio de Humberto Delgado, que, mesmo estando fora do país, assume a chefia da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Assume a responsabilidade política do apresamento do navio português "Santa Maria".


2.1.3. A questão colonial
Soluções preconizadas
A adaptação aos novos tempos processou-se em duas vertentes: a ideológica e a juridica.
Em relação a vertente ideologica, a mística do imperio, que fora um dos alicerces do Estado Novo, é substituida pela ideia da singularidade da colonização portuguesa, inspirada nas teorias de Gilberto Freire. Segundo este, os Portugueses haviam demonstrado uma capacidade de adaptação à vida nas regiões tropicais muito boa, onde se tinham entregue à miscigenação e ao encontro de culturas. Esta teoria era conhecida como lusotropicalismo, e serviu para individualizar a colonização portuguesa, retirando-lhe a caracteristica opressiva.
Em relação ao campo jurídico, deixaram de ser usadas as expressões "colonia" e "imperio colonial". Em 1951, revogou-se o Acto Colonial e inseriu-se o estatuto dos territórios que eram abrangidos por este, na propria Constituição Portuguesa. Ou seja, Portugal tinha deixado de ter colónias, em termos legais. Eram agora designadas por Províncias Ultramarinas. O Império Portugues tinha sido substituido pelo "Ultramar Português" (Portugal, do Minho a Timor).


- A luta armada
O Governo português exluia a ideia de que as colónias portuguesas podiam vir a ter autonomia. Com isto, em África, foram formados movimentos de libertação, nos anos 50 e 60. Na Angola, em 1955, surge a UPA (Uniao das populaçoes de angola), o MPLA (movimento popular de libertaçao de angola), e a UNITA (Uniao para a independencia total de angola); Em Moçambique, existe o FRELIMO (frente de libertaçao de moçambique) 1962; Na Guiné, PAIGC(Partido para a independencia da guine e cabo verde) 1956.
O confronto armado teve inicio no Norte de Angola, em 1961, com ataques do grupo UPA. O governo, após ter enviado militares, nao deu importancia ao caso, pois acreditava tratar-se de uma simples operaçao de policia. Mas em breve esta guerra alastrou-se, obrigando à mobilizaçao de militares portugueses.
Em 1963, alastrou-se à Guine, e em 1964, a Moçambique.
Abriram-se três frentes de revolta. Portugal mobilizou 7% da sua populaçao activa e despendeu quase metade do orçamento do Estado. Perderam-se muitas vidas, e muitos ficaram feridos. A resistência portuguesa ultrapassou espectativas da comunidade internacional.


- O isolamento internacional
A nível internacional, a questão das colónias ganhou dimensão com a entrada no nosso país na ONU, em 1955. O debate sobre as colónias portuguesas rapidamente se fez, pois a Assembleia-Geral concluiu que os territorios sob a administração portuguesa, eram, de facto, colonias, e nao extensões de um mesmo país, como o Acto Colonial defendia.
Os portugueses isolavam-se, devido a uma série de derrotas, e intensificaram-se com a aprovação de Resoluçao 1514 e com o inicio da guerra colonial. Em 1961, Portuga, esteve em foco nas Naçoes Unidas, e esta organizaçao acabou por condenar o nosso pais devido ao nao cumprimento dos principios da Carta das Naçoes Unidas, que obrigava os estados-membros a administrarem territorios nao autonomos, tomarem em conta as aspiraçoes politicas e auxiliarem no desenvolvimento progressivo das suas instituiçoes politicas. Estas condenaçoes tornaram-se repetitivas. A postura de Salazar perante as exigências, fez com que o nosso pais tivesse um desprestígio, e fora excluido de vários organismos nas Naçoes Unidas, como o Conselho Economico e Social.
Para além destes problemas com a ONU, Portugal teve que enfrentar a hostilidade da administração americana, sobretudo durante a Era Kennedy, em que os Americanos mostravam-se certos que o prolongamento da guerra só trazia beneficios aos sovieticos, ja que afastava as terras de áfrica de Portugal, e  dos seus aliados da NATO. Deste modo, não so foram criados grupos nacionalistas, como a UPA, mas propuseram planos de descolonizaçao, procurando vencer as insistencias de Salazar. Portugal tinha um beneficio, que era a Base das Lajes nos açores. Esta base, vital para os Americanos, fez com que o nosso Governo conseguisse sustentar a sua posiçao colonial.


2.1.4. A Primavera Marcelista
- Reformismo político não sustentado
Em 1968, Salazar é operado de urgencia, e pouco depois, devido ao seu estado grave, decide que o melhor é ser substituido no seu poder. Escolhe Marcello Caetano, que apresentava-se um político mais liberal, capaz de alargar a base de apoio do regime salazarista. Marcello define os seus objectivos, logo no primeiro discurso. Pretende continuar com o trabalho de Salazar, e pretende evoluir na continuidade, concedendo aos portugueses a "liberdade possivel".
Nos primeiros meses de mandato, o novo Governo dá sinais de abertura, que faz com que o povo tenha esperança na evoluição do país. Com esta abertura, fizeram-se regressar alguns exilados, moderou-se a actuação da PIDE, que passou a ser chamada de Direcção Geral de Segurança, ordena-se o abrandamento da censura e abre-se a Uniao nacional (que tornou-se em 1970 a  Acçao Nacional Popular).
Neste periodo de mudanças, que ficou conhecido como "primavera Marcelista", o Governo alargou o sufragio feminino, permitiu maior liberdade de campanha feita pela oposiçao e maior liberdade na consulta dos cadernos eleitorais e fiscalizaçao das mesas de voto. Mas notou-se que o acto eleitoral obteve resultados pouco propícios, pois 100% dos lugares de deputados foram da Uniao Nacional, e 0% da oposiçao. As esperanças de uma democratização do regime perderam credibilidade, e Marcello Caetano viu-se sem quaisquer apoios por parte dos liberais, e era alvo dos nucleos mais conservadores, que pretendiam a implementaçao de uma politica liberizadora.
Marcello Caetano liga-se cada vez mais ao regime de direita e a sua politica inicial inverte-se. As associaçoes de estudantes com mais actividade encerram-se, a legislaçao sindical aperta-se, a policia politica começa a desencadear uma nova vaga de presos, e alguns opositores voltam ao exilio.
Alvo de varias criticas, o regime era incapaz de evoluir para um sistema mais democratico, e continuava a debater-se com o grave problema da guerra colonial.


- O impacto da guerra colonial
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2.2. Da revolução à estabilização da democracia
2.2.1 O MFA e a eclosão da revolução
O Movimento dos Capitaes naceu em Julho de 73, como protesto contra dois diplomas legais que facilitavam o acesso dos oficiais milicianos ao quadro do exercito. Os oficiais de carreira acharam que estavam a ser prejudicados, e organizaram-se em defesa dos seus direitos. As reunioes e debates feitos nos primeiros meses bastaram para chegarem a um unico objectivo: pressionarem o governo a aceitar uma soluçao politica para o problema africano.
O Movimento dos capitaes depositou toda a sua confiança nos generais Costa Gomes (chefe) e Spinola (vice-chefe do estado maior general das forças armadas).
Face estas posiçoes, Marcello Caetano faz ratificar a orientaçao da politica colonial e convoca os oficiais generais das Forças armadas para uma sessao em que seria reiterada a sua lealdade ao governo. Costa Gomes e Spinola faltaram a esta reuniao, a 14 de Março, e foram exonerados dos seus cargos no mesmo dia.
Estes acontecimentos deram forças aos que faziam parte do movimento, agora chamado de MFA, que acreditavam na urgencia de um golpe militar, que permitisse a soluçao para o problema colonial.
O MFA preparou a operaçao militar que, na madrugada de 25 de abril de 74, pos fim ao Estado Novo.


- Operação "Fim Regime"
Esta operaçao, feita pelo MFA, decorreu sobre a coordenaçao de Otelo Saraiva de Carvalho, de acordo com o plano: depois da transmissao via radio das cançoes-senha, as unidades militares saem dos quarteis em missao de ocupaçao das estaçoes de rapdio e da RTP, controlo do aeroporto e dos quarteis-generais das regioes militares de lisboa e do norte, cerco dos ministerios militares do terreiro do paço, entre outras. Coube tambem a Salgueiro Maia dirigir o cerco ao Quartel do Carmo, onde se tinham refugiado o presidente do conselho e outros membros do GOverno. A resistencia do quartel terminou, quando MArcello Caetano rendeu-se ao general Spinola. No fim do dia, o Movimento dos Capitais sagrava-se vitorioso. Haviam pedido à populaçao para permanecerem em casa, mas mesmo assim, correram para as ruas, de modo a apoiarem os militares, a quem distribuiam cravos vermelhos.
Os unicos resistentes eram da policia politica, que render-se-iam na manha seguinte.


2.2.2. A caminho da Democracia
Viveu-se um periodo de grande instabilidade, entre 1974 e 1976. Marcado pelo entusiasmo popular devido à liberdade conseguida, o periodo pré-constitucional viu nascer grandes tensoes sociais e afrontamentos politicos.


- O desmantelamento das estruturas do Estado Novo
No dia 25 de Abril, dia da revolução, Portugal viu-se sob a autoridade de uma Junta de Salvação Nacional, constituida por acordo do MFA e a hierarquia das Forças Armadas. Esta Junta tomou um conjunto de medidas relacionadas com a liberação da politica partidaria e ao desmembramento das estruturas do regime deposto:
Foram destituidos o presidente da republica, Americo Tomas, e o presidente do conselho, Marcello Caetano, tal como todos os outros governadores. Pouco depois, Americo e Marcello exilaram-se para o Brasil.
A pide-DGS, a legiao portuguesa e as organizaçoes de juventude foram extintas, bem como a censura e a acção nacional popular.
Os presos politicos foram amnistiados e libertados, e as personalidades antes exiladas puderam voltar a portugal.
Autorizaram a formaçao de partidos politicos e de sindicatos livres, sendo legalizadas as organizaçoes que, ate ai, operavam clandestinamente.
O MFA comprometeu-se a passar o poder para os civis, em que impuseram um prazo maximo de um ano para que fossem realizadas eleiçoes constituintes.
Para que o funcionamento das instituiçoes governativas fosse assegurado, a Junta de Salvaçao Nacional nomeou como presidente da Republica o general Spinola.
Assim dava se inicio a democratizaçao, um dos tres D's (Democratizar, Desenvolver, Descolonizar) que deram sentido ao MFA.


- Tensões político-ideológicas na sociedade e no interior do movimento revolucionario
No dia 1 de Maio de 74, foram feitas gigantescas manifestaçoes, que festejavam o regresso da democracia. No entanto, o processo de instauraçao da democracia nao foi tao rapido e tao facil como se pensava. Os anos e 74 e 75 foram marcados por uma enorme agitaçao social, pela multiplicaçao dos centros de poder e por violentos confrontos politicos.


O período Spínola
Poucos dias apos o golpe militar, os anseios da justiça social tinham ja explodido numa onde de reivindicaçoes laborais, greves e manifestaçoes.
Carente de autoridade e incapaz de assumir a liderança do pais, o I Governo Provisorio demitiu-se em menos de dois meses apos a tomada de posse, deixando Spinola totalmente isolado numa tarefa dificil, que era contar as forças da revoluçao. O poder politico estava repartido, por um lado, o grupo de Spinola, do outro, a comissao coordenadora do MFA e os seus apoiantes.


A radicalização do processo revolucionário
Apos a escolha de Costa Gomes para a presidencia, a Revoluçao tende a radicalizar-se. Otelo Saraiva de Carvalho aparece cada vez mais afecto à extrema-esquerda. À frente do comando operacional do Continente (COPCON - que foi criado a 12 de julho de 74, com o objectivo de dotar o poder de uma força de intervençao militarizada eficiente), assina de animo leve uma serie de ordens de prisao de elementos moderados. Numa derradeira tentativa de contraria esta inflexao à esquerda e recuperar o poder, spinola lidera, em 11 de Março de 75, um golpe militar que vinha a fracassar, obrigando o general e alguns oficiais a refugiar-se em espanha.
Os acontecimentos de 11 de março sao tomados como uma ameaça e contribuem para acentuar o radicalismo que ja se fazia sentir. Nessa mesma noite, numa Assembleia das forças Armadas, forma-se o conselho da revoluçao, que passa a funcionar como orgao executivo do MFA. Concentrando os poderes da junta de Salvaçao Nacional e do Conselho de Estado, o Conselho da Revoluçao tornou-se o centro do poder. Este propoe-se orientar o processo revolucionario em curso, PREC, que assumidamente conduziria o pais rumo ao socialismo.
A agitaçao social cresce, orientando-se por uma filosofia igualitaria e pela miragem do poder popular (poder directo do povo, que toma em maos a resoluçao dos seus problemas e a gestao dos meios de produçao).
Por todos paises procede-se a saneamentos sumarios de quadros tecnicos e outros funcionarios considerados de direita.
Nas empresas privadas, as comissoes de trabalhadores assumem o comando, impedindo os proprietarios de entrarem nas instalaçoes; nas cidades e vilas criam-se comissoes de moradores e comites de ocupantes; no sul, a reforma agraria toma uma feiçao extremista com a ocupaçao de grandes herdades pelos trabalhadores rurais, que as transformam em unidades colectivas de produçao. Este ambiente gerou um clima de opressao e medo. Tudo parecia caminhar para a adopçao de um modelo colectivista, sob o comando das Forças Armadas.


As eleiçoes de 1975 e a inversao do processo revolucionário
A inversão do processo revolucionario deveu-se ao forte impulso dado pelo PS à efecriva realizaçao das eleiçoes constituintes, prometidas pelo MFA.
Estas eleiçoes, em que funcionou o sufrágio universal, realizaram-se no dia 25 de abril de 75, marcando a vida civica e politica portuguesa. Apesar do apelo a abstençao, foram votar cerca de 90% dos eleitores.
Os resultados da votaçao foram determinantes. O PS veio a vencer as eleiçoes. Neste verao de 75, conhecido como verao quente, a oposiçao entre as forças politicas atingue o pico, existindo enormes manifestaçoes, assaltos a redes partidarias e pela proliferaçao de organizaçoes armadas, tanto de esquerda, como de direita.
É neste verao quente que um grupo de nove oficiais do Conselho da Revoluçao, critica os sectores mais radicais do MFA. Uma actuaçao habil destas forças leva a destituiçao do primeiro ministro Vasco Gonçalves, a formaçao do novo Governo, e a nomeaçao do Capitao vasco lourenço para o comando da regiao militar de lisboa, em substituiçao do Otelo.
Estas alteraçoes levam a um ultimo golpe militar, encabeçaado, em 25 de Novembro de 75, por para quedistas de Tancos, em defesa de Otelo e do processo revolucionario. Este golpe por pouco nao coloca o pais numa guerra civil, e acaba por se malograr e, com ele, as tentativas da esquerda revolucionaria para tomar o poder. Ficava aberto o caminho para a implantaçao de uma democracia liberal.




- Politica economica antimonopolista e intervençao do Estado no dominio economico-financeiro
Apos o 25 de abril, a onda de agitaçao social foi acompanhada por um conjunto de medidas que alargou a intervençao do estado nos campos economico e financeiro. Estas medidas tiveram como objectivo a destruiçao dos grandes grupos economicos, considerados monopolistas, a apropriaçao, pelo Estado, dos sectores-chave da economia e o reforço dos direitos dos trabalhadores.
A intervençao do Estado nos campos economico-financeiro encontrava-se ja previsto no programa do I Governo Provisorio, que referia a nacionalizaçao (Apropriaçao pelo estado de uma unidade de produçao privada ou de um sector produtivo) dos bancos emissores (Banco de portugal, nacional ultramarino, de angola). Estas intençoes foram concretizadas em Setembro. Pouco tempo depois, em Novembro, o estado arroga-se o direito de intervir nas empresas, cujo funcionamento nao contribuisse para o normal desenvolvimento do pais. A radicalizaçao do processo revolucionario apos o 11 de março vai alargar este intervencionismo estatal.
Logo nor escaldo do golpe, aprova-se a nacionalizaçao de todas as instituiçoes financeiras. No mes seguinte, um novo decreto-lei determina a nacionalizaçao das grandes empresas ligadas aos sectores economicos de base.
Estas nacionalizaçoes metem fim aos grupos economicos monopolistas, considerados o expoente do capitalismo, e permitiu ao estado um maior controlo sobre a economia.
No sul do pais, o mundo rural vive uma situaçao explosiva. As tensoes acumuladas entre os proprietarios das terras e os trabalhadores das mesmas desembocam um confronto aberto.
Em janeiro de 75 sao registadas as primeiras ocupaçoes de terras por parte dos trabalhadores e rapidamente essa atitude estende-se a outras terras. O processo da reforma agrária (Processo de colectivizaçao dos latifundios do sul do pais , que decorreu entre 75 e 77) tornou-se legal, em julho de 75. Mais uma vez sob pressao das forças politicas de esquerda, o Governo avança com a expropriaçao das grands herdades, com vista à constituiçao de Unidades colectivas de produçao (UCP). Cada UCP detinha a posse plena das alfaias agricolas e uma total liberdade de autogestao, atraves de comissoes eleitas pelos trabalhadores. Ao todo, foram constituidas cerca de 500 destas unidades de produçao.
A reforma agraria nao acabou com o 25 de novembro, ao contrario do processo de nacionalizaçao. A expropriaçao de terras prolongou-se por todo o ano de 76, em grande parte devido a militancia do PCP.
Em complemento desta politica socializante, foi aprovada legislaçao com vista a protecçao dos trabalhadores e dos grupos economicamente desfavorecidos. Destacam-se as novas leis laborais, que dificultavam os despedimentos; a instituiçao do salario minimo nacional e o aumento das pensoes sociais e reforma.
Numa tentativa de controlar o surto de inflaçao, foram tabelados os produtos de 1ª necessidade, que, conjugado com uma subida dos salarios, permitiu elevar o nivel de vida dos trabalhadores.


- A opção constitucional de 76
A 2 de Junho de 75, abriu-se a assembleia Constituinte. Era a primeira que se reunia desde a elaboraçao da Constituiçao de 1911.
Apesar de eleitos democraticamente, os deputados nao possuiam total liberdade de decisao. O MFA, como condiçao de realizaçao das eleiçoes, impos aos partidos concorrentes, a assinatura de um compromisso que preservava as conquistas revolucionarias (13 de Abril). Este documento ficou conhecido como o Primeiro Pacto MFA-Partidos, foi, perto da conclusao dos trabalhos da Assembleia, substituido por um segundo pacto, mais moderado mas tambem condicionador da capacidade legislativa da Constituinte.
(Aspectos revolucionários)
A constituiçao reitera a via de "transiçao para o socialismo" já encetada e considera irreversiveis as nacionalizaçoes e as expropriaçoes de terras efectuadas. Mantem como orgao de soberania o Conselho da Revoluçao, considerado o alicerce do processo revolucionario, e continuara a funcionar com estreita ligaçao com o presidente da Republica.
(Aspectos Democráticos)
A Constituiçao define Portugal como um Estado de direito democratico, e reconhece o pluralismo partidario, e confere a todos os cidadaos a mesma dignidade social. Esta opçao liberalizante ve se reforçada pela adopçao dos principios da Declaraçao Universal dos Direitos do Homem, pela eleiçao directa, mediante sufragio universal, da Assembleia Legislativa e do Presidente da Republica, pela independencia dos tribunais, entre outras. O respeito pela vontade popular exprimiu-se na concessao de autonomia politica as regioes insulares dos Açores e da Madeira e na instituiçao de um modelo de poder local descentralizado e eleito por via directa.
A nova Constituiçao entrou em vigor no dia 25 de Abril de 76 e resultou do compromisso das diferentes concepçoes ideologicas defendidas pelos partidos da assembleia e congregou ainda medidas de excepçao revolucionaria.


2.2.3. O reconhecimento dos movimentos nacionalistas e o processo de descolonização
Tendo sido um dos mais fortes motivos do golpe militar, a resoluçao do impasse a que chegara a guerra colonial foi tambem um dos aspectos que mais dividiu o MFA.
Logo na noite de 25 de Abril, a afirmaçao do claro reconhecimento do direito a autodeterminaçao dos territorios africanos foi eliminada. Em seu lugar declarava-se a intençao de implementar uma politica ultramarina que conduza a paz. Como Spinola reconheceu mais tarde, o tempo em que teria sido possivel adoptar o modelo federalista tinha passado há muito.


- O processo descolonizador
Ainda com o efeito do golpe militar, as pressoes internacionais começam a fazer-se sentir. A 10 de Maio, a ONU e a OUA apelam a junta de Salvaçao para que consagre o principio de independencia das colonias.
A nivel interno, a independencia pura e simples" das colonias juntava o apoio da maioria dos partidos que tornaram se legais apos o 25 de Abril.
É neste sentido que o Conselho de Estado aprova a lei que reconhece o direito das colonias a independencia, decisao comunicada a 27 de Julho. Intensificam-se as negociaçoes com o PAIGC (para a guine e cabo verde), a FRELIMO (para Moçambique) e o MPLA, a FNLA e a UNITA (para Angola).
As negociaçoes decorreram sem dificuldades e concluiram-se em cinco meses. A situaçao mais complexa era a de Angola, dada a existencia de tres movimentos de libertaçao.
Com a excepçao da Guine, os acordos institucionalizavam um periodo de transiçao em que seria efectuada a transferencia de poeres.
No entando, portugal encontrava-se numa posiçao muito fragil, quer para impor condiçoes, quer para fazer respeitar os acordos
(Motivos pq portugal nao fez uma descolonizaçao mais correcta)
o slogan da extrema-esquerda "nem mais um soldado para as colonias", a desmotivaçao generalizada do exercito, a deterioraçao das relacoes entre os militares africanos e os comandos europeus e a instabilidade politica vivia em portugal retiraram ao nosso pais a capacidade para fazer face aos conflitos.
Desta forma, nao foi possivel assegurar os interesses dos portugueses que viviam no ultramar.


2.2.4. A revisão constitucional de 82 e o funcionamento as instituiçoes democraticas
A constituiçao de 76 foi alvo de critica por parte de varios partidos, que acusavam ser um excessivo comprometimento com o socialismo e de um acentuado defice democratico. Assim, passados 4 anos, a assembleia da Republica procedeu a primeira revisao constitucional.
Concluida em Setembro de 82, a revisao atenuou a polemica em torno da lei fundamental, que nao se afastou da linha ideologica inicialmente definida: manteve inalterados os artigos que proibiam retrocessos nas nacionalizaçoes e na reforma agraria e manteve os principios socializantes, embora mais suavizados.
Mas as maiores alteraçoes verificaram-se a nivel politico. Foi abolido o Conselho da Revoluçao como orgao coadjuvante da presidencia da republica. As forças armadas viram-se subordinadas ao poder politico que passou a assentar na legitimidade democratica.
Na mesma linha limitaram-se os poderes do presidente e aumentaram-se os da instituiçao parlamentar. O regime viu reforçado o seu cariz democrático-liberal, assente no sufragio popular e no equilibrio entre os orgaos da soberania:
O presidente da republica, eleito por sufragio directo e maioria absoluta, o que lhe confere legitimidade democratica. É assistido por um conselho de estado, cuja consulta é obrigatoria em todas as decisoes importantes. O mandato é de 5 anos. Competem funcoes como a salvaguarda constitucional, e de moderaçao do poder politico. Zela pelo bom funcionamento das instituiçoes, e em casos graves possui poderes para demitir o governo e dissolver a Assembleia da Republica. Tudo isto confere a nossa constituiçao um caracter semipresidencialista.
A Assembleia da Republica, em que cada legislatura tem a duraçao de 4 anos e os deputados organizam-se por grupos parlamentares. É o orgao legislativo por excelencia.
O governo é o orgao executivo, ao qual compete a conduçao da politica geral do pais. O governo detem uma vasta competencia legislativa.
Os tribunais, em que a constituiçao decidiu que o poder judicial é verdadeiramente autonomo. Foi criado o tribunal constitucional, que compete zelar o cumprimento das disposiçoes constitucionais, receber e aceitar as candidaturas a presidencia, proceder ao registo dos partidos politicos, entre outros.
Para alem destes orgaos, deu autonomia as regioes dos Açores e Madeira. O governo destas regioes exerce-se atraves de uma Assembleia legislativa regional.
Quanto ao poder local, estruturou-se em municipios e freguesias, dispondo ambos de um orgao legislativo (assembleia municipal e assembleia de freguesia) e um orgao executivo (Camara municipal e a junta de freguesia).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Memorial do Convento - capítulos 6 a 12

Capítulo VI
  • Visão crítica das leis comerciais.
  • Narrativa de João Elvas, a Baltasar, sobre um suposto ataque dos franceses a Lisboa (que mais não era do que a chegada de uma frota com bacalhau).
  • Conflito de Baltasar: saber a cor dos olhos de Blimunda.
  • Deslocação do Padre Bartolomeu Lourenço ao Paço para interceder por Baltasar (a fim de este receber uma pensão de guerra) e compromisso de falar com o Rei, caso tarde a resposta.
  • Apresentação, por João Elvas, de Bartolomeu Lourenço como o Voador (as diversas tentativas levadas a cabo pelo padre para voar, justificando-se, este, que a necessidade está na base das conquistas do homem; o conhecimento da mãe de Blimunda, dadas as visões que esta tinha de pessoas a voar).
  • Questão de Baltasar ao padre: o facto de Blimunda comer pão, de manhã, antes de abrir os olhos.
  • Apresentação da passarola a Baltasar, pelo Padre B. Lourenço (S. Sebastião da Pedreira).
  • Descrição da passarola, a partir do desenho que o padre mostra a Baltasar.
  • Convite do Padre para que Baltasar o ajude na construção da passarola.

Capítulo VII
  • Trabalho de Baltasar num açougue.
  • Evolução da gravidez da rainha, tendo o rei de se contentar com uma menina.
  • Rendição das frotas portuguesas do Brasil aos franceses.
  • Visita de Baltasar e Blimunda à zona enfeitada para o baptismo da princesa, estando aquele mais cansado do que habitualmente, por carregar tanta carne para o evento.
  • Morte do frade que formulou a promessa real; fidelidade de D. João V à promessa.

Capítulo VIII
  • Relação amorosa de Baltasar e Blimunda.
  • Procura de Baltasar a propósito do misterioso acordar de Blimunda: esta conta-lhe que, em jejum, consegue ver o interior das pessoas; daí comer o pão ao acordar para não ver o interior de Baltasar.
  • Indicação de Blimunda, a Baltasar, acerca do seu dom: vê o interior dos outros e “vê” a nova gravidez da rainha.
  • Falha na obtenção da tença pedida ao Paço para Baltasar e despedimento do local onde este trabalhava (açougue).
  • Nascimento do segundo filho do rei, o infante D. Pedro.
  • Deslocação de El-rei a Mafra, para escolher a localização do convento (um alto a que chamam Vela).

Capítulo IX
  • Auxílio de Baltasar ao padre Lourenço na construção da passarola, tendo-lhe este dado a chave da quinta do duque de Aveiro, onde se encontra a “máquina de voar”.
  • Visita de Baltasar à quinta, acompanhado de Blimunda.
  • Inspecção de Blimunda, em jejum, à máquina em construção para descobrir as suas fragilidades.
  • Atribuição, pelo Padre B. Lourenço, dos apelidos de Sete-Sóis e Sete-Luas, respectivamente, a Baltasar e a Blimunda (ele vê “às claras” e ela “vê às escuras”).
  • Deslocação do Padre à Holanda, para aprender com os alquimistas a fazer descer o éter das nuvens (necessário para fazer voar a passarola).
  • Realização de novo auto-de-fé, mas Baltasar e Blimunda permanecem em S. Sebastião da Pedreira.
  • Partida de Baltasar e Blimunda para Mafra e do padre para a Holanda, ficando aqueles responsáveis pela passarola.
  • Ida à tourada, antes de Baltasar e Blimunda partirem de Lisboa.

Capítulo X
  • Visita de Baltasar à família, com apresentação de Blimunda e explicação da perda da mão.
  • Vivência conjunta e harmoniosa na família de Baltasar.
  • Venda das terras do pai de Baltasar, por causa da construção do convento.
  • Trabalho procurado por Baltasar.
  • Comparação entre a morte e o funeral do filho de dois anos da irmã de Baltasar e a morte do infante D. Pedro.
  • Nova gravidez da rainha, desta vez do futuro rei.
  • Comparação dos encontros de Baltasar com Blimunda e do rei com a rainha.
  • A frequência dos desmaios do rei e a preocupação da rainha.
  • O desejo de D. Francisco, irmão do rei, casar com a rainha, à morte deste.



Capítulo XI
  • Regresso de Bartolomeu Lourenço da Holanda, passados três anos, e o abandono da abegoaria (quinta de S. Sebastião da Pedreira).
  • Constatação do padre de que Baltasar cuidara da passarola, conforme lhe havia pedido.
  • Deslocação a Coimbra, passando por Mafra para saber de Baltasar e Blimunda.
  • Reflexão sobre o papel que cada um tem na construção do futuro, não estando este apenas nas mãos de Deus.
  • Atribuição de bênção a quem a pede, deparando o padre, no caminho para Mafra, com trabalhadores (comparados a formigas).
  • Conversa do Padre com um pároco, ficando a saber que Baltasar e Blimunda casaram e onde vivem.
  • Visita do padre ao casal de amigos e conversa sobre a passarola.
  • Bartolomeu Lourenço na casa do padre Francisco Gonçalves, a pernoitar.
  • Encontro de Blimunda e Baltasar com padre B. Lourenço, de manhã muito cedo, quando ela ainda está em jejum.
  • Apresentação, a Baltasar e Blimunda, do resultado de aprendizagem do Padre na Holanda: o éter que fará voar a passarola vive dentro das pessoas (não é a alma dos mortos, mas a vontade dos vivos).
  • Pedido de auxílio do Padre a Blimunda: ver a vontade dos homens (esta consegue ver a vontade do padre) e colhê-la num frasco.
  • Deslocação de Bartolomeu Lourenço a Coimbra para aprofundar os seus estudos e se tornar doutor.
  • Ida de Blimunda e Baltasar para Lisboa: ela, para recolher as vontades; ele, para construir a passarola.

Capítulo XII
  • Tomada da hóstia, em jejum: Blimunda descobre que o que está dentro desta é o mesmo que está dentro do homem – a religião.
  • Festividades da inauguração da construção do convento e do lançamento da primeira pedra (três dias), a ter lugar numa igreja–tenda ricamente decorada e com a presença de D. João V.
  • Baltasar e Blimunda na inauguração.
  • Passada uma semana, partida do casal para Lisboa.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

GUERRA FRIA

Guerra Fria – A consolidação de um mundo bipolar

                O afrontamento entre as duas superpotências e os seus aliados prolongou-se até meados dos anos 80, altura em que o bloco soviético mostrou os primeiros sinais de fraqueza.
                Durante este longo período, os EUA e a URSS intimidaram-se mutuamente, gerando um clima de hostilidade e insegurança que deixou o mundo num permanente sobressalto. É este clima de tensão internacional que designamos por Guerra Fria.

Guerra Fria: Expressão criada para designar o estado de tensão entre os EUA e a URSS a seguir à 2ª guerra mundial, que se caracterizou pelo facto de as duas potências não registarem qualquer confronto directo, mas interferirem em conflitos à escala regional em campos opostos.

                A guerra fria foi uma autêntica “guerra de nervos” em que cada bloco se procurou superiorizar ao outro. Uma gigantesca máquina de propaganda inculcava nas populações a ideia da superioridade do seu sistema e a rejeição e o temor do lado contrário, ao qual se atribuíam as intenções mais sinistras e os planos mais diabólicos.
                Mais do que ambições hegemónicas das duas superpotências, eram duas concepções opostas de organização política, via económica e estruturação social que se confrontavam: de um lado, o liberalismo, assente sobre o princípio da liberdade individual; do outro, o marxismo, que subordina o indivíduo ao interesse da colectividade.

1.2.1. O Mundo Capitalista
ê A política de alianças dos Estados Unidos

Em termos político-militares, a aliança entre os ocidentais não tardou também a oficializar-se. A tensão provocada pelo bloqueio de Berlim acelerou as negociações que conduziram, em 1949, ao Tratado do Atlântico Norte, firmado entre os Estados Unidos, o Canadá e 10 nações europeias. A operacionalização deste tratado deu origem à Organização do Tratado do Atlântico Norte – OTAN (ou NATO, em inglês).
O pacto da OTAN é bem demonstrativo da desconfiança que então impregnava as relações internacionais. A aliança apresenta-se, assim, como uma organização puramente defensiva, empenhada em resistir a um inimigo que está omnipresente: a União Soviética.
        Esta sensação de ameaça e a vontade de consolidar a sua área de influência lançaram os EUA numa autêntica “pactomania” que os levou a constituir um vasto leque de alianças, um pouco por todo o mundo. Para além da OTAN, firmaram-se alianças multilaterais na América. Estas alianças foram complementadas com diversos acordos de carácter político e económico, de tal forma que, cerca de 1959, 3 quartas partes do mundo alinhavam, de uma forma ou de outra, pelo bloco americano.



ê A política económica e social das democracias ocidentais
No fim da 2ª guerra mundial, o conceito de democracia adquiriu, no ocidente, um novo significado. Para além do respeito pelas liberdades individuais, do sufrágio universal e do multipartidarismo, considerou-se que o regime democrático deveria assegurar o bem-estar dos cidadãos.
As duas forças políticas que, nesta época, sobressaíram na Europa – o socialismo reformista e a democracia cristã – encontravam-se fortemente imbuídas de preocupações sociais.
Embora de quadrantes muito diferentes, socialistas e democratas-cristãos saíram da guerra prestigiados.
É assim que, logo em 1945, as eleições inglesas dão a vitória ao Partido Trabalhista, liderado por Clement Atlee, que substitui Winston Churchill (Partido Conservador) à frente do governo britânico.
Um pouco por todo o lado, partidos de orientação idêntica viram elevar-se os seus resultados eleitorais tendo, em alguns casos, tomando também as rédeas do poder, como aconteceu na Holanda, nos países Escandinavos (Dinamarca, Noruega, Suécia) e na República Federal Alemã.
Os adeptos da social-democracia conjugam a defesa do pluralismo democrático e dos princípios da livre concorrência económica com o intervencionismo do Estado, cujo objectivo é o de regular a economia e promover o bem-estar dos cidadãos.

Social-Democracia: Corrente ideológica cujas origens remontam ao pensamento de Eduard Bernstein, nos finais do séc.XIX, que, partindo da crítica ao sistema capitalista e à necessidade de revisão do marxismo, ao negar nomeadamente a luta de classes, defendeu a construção do socialismo através de reformas graduais levadas a cabo por governos resultantes de processos eleitorais democráticos.      

A democracia-cristã tem a sua origem na doutrina social da igreja que condena os excessos do liberalismo capitalista, atribuindo igualmente aos estados a missão de zelar pelo bem-comum.
Os democratas-cristãos consideram que o plano temporal e espiritual embora distintos, não se podem separar. Os princípios do cristianismo devem enformar todas as acções dos cristãos. Propõem uma orientação profundamente humanista, alicerçada na liberdade, na justiça e na solidariedade. Procura-se subverter o espírito essencialmente laico da democracia transformando-o num campo de aplicação de valores intrinsecamente cristãos.

Sociais-Democratas e Democratas-cristãos convergem no mesmo propósito de promover reformas económicas e sociais profundas. Na Europa do pós-guerra, os governos lançam-se num vasto programa de nacionalizações. O Estado torna-se o principal agente económico do país, o que lhe permite exercer a sua função reguladora da economia.


Paralelamente, revê-se o sistema de impostos, reforçando-se o carácter progressivo das taxas. Um tal conjunto de medidas modificou, de forma profunda, a concepção liberal de Estado dando origem ao Estado Providência.
·       A afirmação do Estado-Providência
A superação das dificuldades associadas à crise de 1929 implicou o aumento da intervenção do Estado nos planos económico e social e o nascimento do Estado-Providência ou do bem-estar social [onde cada cidadão tem asseguradas as suas necessidades básicas “do berço ao túmulo”].
                Ainda durante a guerra, o empenhamento do Estado nas questões sociais foi activamente defendido por Beveridge. Este confiava que um sistema social alargado teria como efeito a eliminação dos “cinco grandes males sociais”: carência, doença, miséria, ignorância e ociosidade.
                A abrangência das medidas adoptadas em Inglaterra e a ousadia do estabelecimento de um sistema de saúde assente na gratuidade total dos serviços médicos e extensivo a todos os cidadãos, serviram de modelo à maioria dos países europeus.
                O sistema de protecção social generaliza-se a toda a população: passando a acautelar as situações de desemprego, acidente, velhice e doença; estabelecem-se prestações de ajuda familiar. Ampliam-se as responsabilidades do Estado no que respeita  à habitação, ao ensino e à assistência médica.

                Este conjunto de medidas visa um duplo objectivo:
·         Reduz a miséria e o mal-estar social contribuindo para uma repartição mais equitativa da riqueza;
·         Assegura uma certa estabilidade à economia, já que evita descidas drásticas da procura como a que ocorreu durante a crise dos anos 30.


·       A prosperidade Económica

O crescimento económico do pós-guerra estruturou-se em bases sólidas. Os governos não só assumiram grandes responsabilidades económicas, como delinearam planos de desenvolvimento coerentes, que permitiram estabelecer prioridades, rentabilizar a ajuda Marshall e definir directrizes futuras. Externamente, os acordos de Bretton Woods e a criação de espaços económicos alargados (como a CEE) tiveram um papel semelhante, harmonizando e fomentando as relações económicas internacionais.
O capitalismo emergiu dos escombros da guerra e atingiu o seu auge. Entre 1945 e 1973, a produção mundial mais do que triplicou. As economias cresceram de forma contínua, sem períodos de crise. As taxas de crescimento especialmente altas de certos países, como a RFA, a França, o Japao, surpreenderam os analistas, que começaram a referir-se-lhes como “milagre económico”. Estes cerca de 30 anos de uma prosperidade material sem precedentes ficaram na História como os “Trinta Gloriosos”. 
A expansão económica dos 30 Gloriosos conjuga o desenvolvimento de processos já iniciados com aspectos completamente novos. Podemos destacar:
·       A aceleração do progresso tecnológico, que atingiu todos os sectores;
·       O recurso ao petróleo como matéria energética por excelência, em detrimento do carvão;
·       O aumento da concentração industrial e do número de multinacionais;
·       A modernização da agricultura;
·       O aumento significativo da população activa. Para além de mais numerosa, a mão-de-obra tornou-se também mais qualificada;
·       O crescimento do sector terciário.

ê A sociedade de consumo
O efeito mais evidente dos Trinta Gloriosos foi a generalização do conforto material. A sociedade de consumo transformou os lares e o estilo de vida da maioria da população dos países capitalistas.         
Nesta sociedade de abundância, o cidadão comum é permanentemente estimulado a despender mais do que o necessário. Multiplicam-se os grandes espaços comerciais, verdadeiros santuários do consumo, onde os objectos, estrategicamente dispostos, se encontram ao alcance da mão do potencial comprador. Uma publicidade bem orquestrada lembra as pequenas e grandes maravilhas a que todos “têm direito” e que as vendas a crédito permitem adquirir.
O consumismo instala-se duradouramente e torna-se o emblema das economias capitalistas da segunda metade do século XX.


1.2.2 O Mundo Comunista

                Quando o 2º conflito mundial terminou a URSS foi responsável pela implantação de regimes comunistas, inspirados no modelo soviético, por todo o mundo.
                Após a 2ª Guerra Mundial, o reforço da posição militar soviética e o desencadear do processo de descolonização criaram condições favoráveis quer à extensão do comunismo, quer ao estreitamento dos laços de amizade e cooperação entre Moscovo e os países recentemente independentes. A URSS saiu, assim, do isolamento a que estivera votada desde a Revolução de Outubro, alargando a sua influência nos 4 continentes.



·       Europa
A primeira vaga da extensão do comunismo atingiu a Europa Oriental e fez-se sob a pressão directa da URSS. Entre Julho de 1947 e Julho de 1948, as coligações governamentais desfizeram-se: o partido comunista tornou-se partido único.
Os novos países socialistas receberam a designação de democracias populares.
Democracias Populares: Designação dada ao regime do partido único instituído nos países do Leste Europeu, construído à semelhança do modelo soviético, e que, adoptando a ideologia comunista, exerceu o poder de forma absoluta e controlou toda a sociedade.
               
                Defendem que a gestão do Estado pertence, em exclusivo, às classes trabalhadoras. Estas, que constituem a esmagadora maioria da população, “exercem o poder” do Partido Comunista.
                Depois da implantação do comunismo, a URSS exerceu um apertado controlo sobre os seus novos aliados.
                Em 1955, os laços entre as democracias populares foram reforçados com a constituição do Pacto de Varsóvia, aliança militar que previa a resposta conjunta a qualquer eventual agressão. O Pacto Varsóvia constituiu uma organização completamente oposta à OTAN. A união soviética impôs um modelo único, do qual não admitiu desvios.
                Em 1956, na Hungria, e em 1968, em Praga (Checoslováquia), a URSS reprimiu, com os tanques militares do Pacto de Varsóvia, os levantamentos sociais que contestavam o poder soviético.
                Em 1961, a fim de evitar a passagem de cidadãos de Berlim Leste para Berlim Oeste, de onde fugiram para a RFA e para outros países ocidentais, a RDA ordenou a construção do muro de Berlim.

·       Ásia
Fora da Europa, o único país em que a implantação do regime comunista se ficou a dever à intervenção directa da URSS foi a Coreia. Entre 1950 e 1953 desenrolou-se, na Coreia, uma guerra civil entre o norte, a República Popular da Coreia, comunista, apoiada pela URSS e o sul, a República Democrática da Coreia, capitalista, sustentada pelos Estados Unidos. O final da guerra não unificou o país, tornando-se mais uma das questões por resolver da Guerra Fria.

Nos restantes casos, o triunfo do partido comunista ficou a dever-se a movimentos revolucionários nacionais que contaram, no entanto, com o incentivo ou o apoio declarado da URSS.
Tal é o caso da China, onde, em Outubro de 1949, Mao Tsé-Tung proclamou a instauração de uma República Popular. Apesar de, posteriormente, se ter afastado da URSS, a China seguiu, nos primeiros anos do regime comunista, o modelo político e económico do socialismo russo.

·       América Latina
O p0nto fulcral da expansão comunista na América Latina foi Cuba, onde, um grupo de revolucionários, sob o comando de Fidel Castro e do Che Guevara.
                A influência soviética em Cuba confirma-se quando, em 1962, aviões americanos obtêm provas fotográficas da instalação, na ilha, de mísseis russos de médio alcance, capazes de atingir o território americano.
                A exigência firme de retirada dos mísseis, feita pelo presidente Kennedy, coloca o mundo perante a eminência de uma guerra nuclear entre as duas superpotências.
                Fruto do seu alinhamento com o bloco soviético, Cuba desempenhará também um papel activo na proliferação do comunismo.

·       África
A adopção de regimes sociais coincidiu com a 2ª vaga de descolonizações (por ex: nos anos 70 as ex-colónias africanas de Angola e Moçambique tornaram-se Estados Socialistas). 

ê Opções e Realizações da economia de direcção central
Após a 2ª Guerra Mundial, a planificação da economia nos regimes socialistas propiciou uma recuperação rápida dos prejuízos causados pelo esforço de guerra. Os planos quinquenais apostavam, sobretudo, na indústria pesada (siderurgia) e nas infra-estruturas. A URSS e os países de modelo soviético registaram um crescimento industrial tão significativo que ascenderam à 2ª posição da indústria mundial.
                No entanto, a par destas realizações, as economias da direcção central (dirigidas pelo Estado o qual abolia a iniciativa privada) evidenciavam fraquezas estruturais que comprometiam a longo prazo o seu sucesso:
O nível de vida das populações não acompanha esta evolução económica.
·        As jornadas de trabalho matem-se excessivas;
·        Os salários sobem a um ritmo muito lento e as carências de bens de toda a espécie mantêm-se;
·       A agricultura, a construção habitacional, as indústrias de consumo e o sector terciário avançam lentamente.
Nas cidades, que a industrialização fez crescer a um ritmo muito rápido, a população amontoa-se em bairros periféricos. As longas filas de espera para adquirir os bens essenciais tornam-se uma rotina diária.


ê Os bloqueios Económicos
Passando o primeiro impulso industrializador, as economias planificadas começam a mostrar, de forma mais evidente, as suas debilidades:
·       A planificação excessiva entorpece as empresas, que não gozam de autonomia na selecção das produções, do equipamento e dos trabalhadores, na fixação de salários e preços, ou na escolha de fornecedores e clientes;
·       Uma gestão burocrática limita-se a procurar cumprir as quantidades previstas no plano, sem atender à qualidade dos produtos ou ao potencial de rentabilidade dos equipamentos e da numerosíssima mão-de-obra;
·       Nas unidades agrícolas, a falta de investimento, a má organização e o desalento dos camponeses reflectem-se de forma severa na produtividade.


Implementou-se, nos anos 60, um conjunto vasto de reformas em praticamente todos os países da Europa Socialista. O exemplo é dado pela União Soviética.
                                Um novo plano, iniciado em 1959, reforça o investimento nas indústrias de consumo, na habitação e na agricultura. Ao mesmo tempo, a duração do trabalho semanal reduz-se (de 48 para 42 horas) bem como a idade da reforma, que se estende, aos trabalhadores agrícolas.
                                No entanto, os efeitos destas medidas ficaram muito aquém das espectativas. Na década de 70, sob a liderança de Leonidas Brejnev, a corrupção e a burocracia avolumaram-se, o que se traduziu pelo agudizar da estagnação.

                                As dificuldades soviéticas reflectiram-se, de forma mais ou menos grave, em todos os países satélites. A estagnação das economias de direcção central reflecte, sobretudo, as falhas do sistema, que se foram agravando ao longo das décadas.


1.2.2 A escala armamentista e o início da era espacial

ê A escala armamentista
Para além dos esforços postos na constituição de alianças internacionais, os 2 blocos procuravam preparar-se para uma eventual guerra, investindo grandes somas na concepção e fabrico de armamento cada vez mais sofisticado.
Nos primeiros anos do pós-guerra, os Estados Unidos tinham o segredo da bomba atómica, que consideravam a sua melhor defesa.
Quando, em Setembro de 1949, os Russos fizeram explodir a sua primeira bomba atómica, a confiança dos Americanos desmoronou-se.
Em 1952 os americanos testavam, no Pacífico, a 1ª bomba de hidrogénio, com uma potência 1000 vezes superior à bomba de Hiroxima.

        A corrida ao armamento tinha começado. No ano seguinte, os Russos possuíam também a bomba de hidrogénio e o ciclo reiniciou-se, levando as duas superpotências à produção maciça de armamento nuclear. O mundo viu também multiplicarem-se as armas ditas convencionais. No fim de 1950, os americanos consideravam obrigatório aumentar, tão depressa quanto possível, a força aérea, terrestre e naval em geral e a dos aliados num ponto em que não estivessem tão fortemente dependentes de armas nucleares.
        O investimento ocidental nas armas convencionais desencadeou, como era de esperar, uma igual estratégia por parte da URSS [afectou, em 1952, 80% do orçamento de Estado para despesas militares]
        Cada um dos blocos procurava persuadir o outro de que usaria, sem hesitar, o seu potencial atómico em caso de violação das respectivas áreas de influência. O mundo tinha resvalado, nas palavras de Churchill, para o equilíbrio instável do terror.

ê O início da era espacial
Durante a 2ª Guerra Mundial a Alemanha tinha secretamente desenvolvido a tecnologia dos foguetes e criado os primeiros mísseis. Em 1945, os cientistas envolvidos neste projecto emigraram para a URSS e para os Estados Unidos, onde desempenharam um papel relevante nos respectivos programas espaciais.
A URSS colocou-se à cabeça da conquista do espaço [em Outubro-1957 coloca em órbita o 1º satélite artificial da história].
A desolação dos Americanos, que até aí tinham considerado a URSS tecnologicamente inferior, foi grande. Na ânsia de igualarem a proeza russa, anteciparam o lançamento do seu próprio satélite, mas o foguetão que o impulsionava explodiu e a experiencia foi um fracasso.
Nos anos que se seguiram, a aventura espacial alimentou o orgulho nacional das duas nações.

1.3. A afirmação de novas potências
1.3.1. O rápido crescimento do Japão
ê Os factores de desenvolvimento / O “milagre Japonês”
O “milagre japonês” beneficiou de uma conjuntura favorável. A ocupação americana modernizou as estruturas políticas e sociais do país. Os Estados Unidos disponibilizaram importantes ajudas financeiras e técnicas que permitiram uma rápida reconstrução económica (através do Plano Dodge); fizeram aprovar a Constituição de 1945; incentivaram o controlo da natalidade e o acesso ao ensino. Após a vitória de Mao Tsé-Tung na China, em 1949, o Japão passou a ser visto como um precioso aliado do bloco ocidental no Oriente.

Estabilidade política, assegurada pelo Partido Liberal-Democrata no poder desde 1955.
A mentalidade japonesa foi também um importante factor de crescimento. Os lucros foram reinvestidos continuamente e os trabalhadores chegavam a doar à empresa os seus pequenos aumentos de salário para promover a renovação tecnológica.
Esta ligação afectiva entronca na tradição japonesa do trabalho vitalício que transforma o patrão no protector dos seus funcionários, os quais, por sua vez, dedicam uma incondicional lealdade à empresa.
Munido de mão-de-obra abundante e barata e de um sistema de ensino abrangente mas altamente competitivo, o Japão lançou-se à tarefa de se transformar na 1ª sociedade de consumo da Ásia.

O primeiro desenvolvimento da economia japonesa decorreu entre 1955 e 1961. Neste curto período, a produção industrial praticamente triplicou.
Os sectores que, neste período, adquirem maior dinamismo são os da indústria pesada (construção naval, máquinas-ferramentas, química) e dos bens de consumo duradouros (tv’s, rádios, frigoríficos, etc.)
O comércio externo acompanha esta expansão: as exportações duplicam, assim como as importações.
Depois de um período de estagnação, no início dos anos 60, a economia japonesa conheceu um 2º surto de crescimento tão possante quanto o anterior.
Entre 1966 e 1971, a produção industrial duplicou e criaram-se 2,3 milhões de novos postos de trabalho. Além do desenvolvimento dos sectores clássicos (como a siderurgia) este surto de crescimento assenta, sobretudo, em novos sectores (produção de automóveis, tv’s a cores…)
Este 2º desenvolvimento fez do Japão a 3ª maior potência económica mundial, atrás dos EUA e da URSS.

1.3.2. O Afastamento da China do bloco soviético
O comunismo chinês foi marcado pela personalidade carismática do seu líder Mao Tsé-Tung.
Ao contrário do marxismo tradicional, Mao enfatizava o papel dos camponeses, aos quais atribuía a liderança revolucionária -> maoísmo.

Maoísmo: Regime instalado na China pelo Partido Comunista Chinês, chefiado por Mao Tsé-Tung, diferenciado do marxismo-leninismo, sua principal fonte de inspiração, pela substituição do proletariado pelo campesinato enquanto classe revolucionária, e pela Revolução Cultural, no sentido de acelerar a construção do comunismo.

O maoísmo assumiu como objectivo a revolução total protagonizada pelas masssas e não pelas estruturas de Poder, para isso, recorreu a grandes campanhas de natureza ideológica.
è Devia-se “agir de acordo com as necessidades e as aspirações das massas”

Mao lança, em 1957, uma campanha de “rectificação”       dos erros cometidos pelo Partido, cuja actuação parecia afastar-se das massas.


Esta política foi complementada, em 1958, com o “grande salto em frente”: que tinha por base o fomento da agricultura e a integração dos camponeses em comunas populares lideradas pelo Partido Comunista Chinês. A prioridade à indústria pesada foi então posta de lado e a ênfase passou para os campos, onde se deviam desenvolver tanto as produções agrícolas como pequenas industrias locais. No entanto, esta reforma redundou em fracasso (1960), pois os meios técnicos eram reduzidos e os métodos de trabalho utilizados nas oficinas eram antiquados.

Em vez da subserviência a Moscovo, Mao estabeleceu, ele mesmo, os fundamentos doutrinários de um socialismo nacionalista. Criticou o comunismo de Kruchtchev, acusando-o de não “escutar a opinião das massas”.

Em 1964 o culto a Mao e ao maoísmo foi estimulado através da chamada Revolução Cultural, movimento que pretendia aniquilar todas as manifestações culturais – na literatura, na arte, no ensino – que se afastassem do modelo socialista de Mao. A propaganda ideológica tinha por base o “livro vermelho” que reunia citações de Mao e que era venerado como detentor da verdade absoluta. A revolução cultural deu origem a excessos de agitação social que resultaram na humilhação, perseguição e assassínio de muitos cidadãos considerados contra-revolucionários.

Os esforços de Mao foram coroados de êxito quando, em 1971, o país entra para a ONU.

1.3.3. A ascensão da Europa
A Europa reconheceu a sua herança cultural comum e a necessidade de se unir para reencontrar a prosperidade económica e, se possível, a sua influência política.
ê Da CECA à CEE
O Primeiro passo consistente para a cooperação europeia resultou da Declaração Shumam, que pretendia a cooperação entre a França e a Alemanha no domínio da produção do carvão e do aço. Desta iniciativa resultou a CECA – Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo). A CECA estabeleceria uma zona conjunta minero-siderurgica sob a orientação de uma Alta Autoridade supranacional.
Em 1957, surge, finalmente, a Comunidade Económica Europeia – CEE, constituída pelos 6 países referidos. A CEE, cujos fundamentos foram expressos no Tratado de Roma (1957) tinha objectivos predominantemente económicos:
·       Estabelecimento de um mercado comum;
·       Aproximação progressiva das políticas económicas;
·       Expansão económica contínua e equilibrada;
·       Livre prestação de serviços;
·       Estabelecimento de uma política comum na área da agricultura, dos transportes e da produção energética – é criada a EURATOM [Comissão Europeia de Energia Atómica – com um funcionamento independente da CEE]

A união aduaneira prevista no Tratado de Roma veio a concretizar-se em 1968, traduzindo-se, desde logo, num forte aumento das trocas intercomunitárias.

1.3.3. A segunda vaga de descolonizações
             A política de Não-Alinhamento

ê A descolonização Africana

O processo de descolonização em África seguiu o sentido norte-sul: primeiramente tornaram-se independentes os países do norte de África e, progressivamente, os países da África Negra foram reclamando autonomia, onde se organizam também movimentos nacionalistas que encabeçam a luta contra o estado colonizador.

Movimentos Nacionalistas: Expressão utilizada para designar a afirmação de valores, de interesses e de especificidades socioculturais que diferenciam uma nação de outras e que, no caso das colónias dependentes de países europeus, se confundiu com os movimentos de libertação constituídos com o objectivo de conseguir a autodeterminação das colónias.

Com o fim de criarem um sentimento de identidade nacional e de fazerem reviver o orgulho perdido, os líderes nacionalistas promovem a revalorização das raízes ancestrais do seu povo, a sua cultura comum, difundindo a ideia de que ela é tão válida como a civilização dos europeus civilizadores.  
A luta pela independência assume, assim, a dupla vertente de uma luta política e de uma luta contra a pobreza e o atraso económico
O processo independentista contou com o apoio da ONU, que, honrando os ideais de igualdade e justiça, se colocou inequivocamente ao lado dos povos dominados. Em 1960, a Assembleia Geral aprovou a Resolução de 1514 que consagra o direito à autodeterminação dos territórios sob administração estrangeira e condena qualquer acção armada das metrópoles.
1960 -> “O ano da descolonização”, o mundo viu nascer 18 novos países.

ê Um Terceiro Mundo

Nas 3 décadas que se seguiram ao conflito mundial constituíram-se cerca de 70 novos países na Ásia e na África -> são estes que constituem o Terceiro Mundo.

Estes países continuaram a explorar, através de grandes companhias, as matérias-primas, minerais e agrícolas do mundo subdesenvolvido, fornecendo-lhe, como no passado, produtos manufacturados.
Tal situação tem perpetuado o atraso destas regiões: por um lado, os lucros das companhias não são reinvestidos no local; por outro, enquanto o preço dos produtos industriais têm vindo a subir, o valor das matérias-primas, tem decaído
Considerada um verdadeiro neocolonialismo, tal situação foi, desde logo, denunciada pelas nações do Terceiro Estado, que reivindicaram, sem sucesso, a criação de uma “nova ordem económica internacional”.

Neocolonialismo: Palavra que designa algumas formas de domínio financeiro, tecnológico, económico, político ou cultural de um Estado sobre as suas antigas colónias ou sobre estados recentemente descolonizados.

ê A política de não-alinhamento

Para além da sua acepção económica, social, a expressão do Terceiro Mundo reveste também uma conotação política: os novos países representam a possibilidade de uma terceira via, uma alternativa relativamente aos blocos capitalista e comunista.
Os países saídos da descolonização cedo se esforçaram por estreitar os laços que os unem e por marcar posição na política internacional. Em 1955 convoca-se uma conferência para definir as linhas gerais de actuação dos países recém-formados. A conferência, em Bandung, na Indonésia, reuniu 29 delegações afro-asiáticas.  
Foi possível adoptar um conjunto de princípios que definem as posições políticas do Terceiro Mundo: condenação do colonialismo, rejeição da política dos blocos, apelo à resolução pacífica dos diferendos internacionais.
A conferência da Bandung teve um efeito notável no processo de descolonização
A mensagem da Bandung foi tomando corpo através de sucessivos encontros internacionais que desembocaram no Movimento dos Não-Alinhados, criado oficialmente na conferência de Belgrado, empenhando-se no estabelecimento de uma via política alternativa à bipolarização mundial.
O não-alinhamento atraiu um número crescente de países da Ásia, da África e da América e tornou-se o símbolo do sonho de independência e de liberdade das nações mais frágeis.
Embora muitas vezes designado por neutralismo, este movimento não teve por objectivo permanecer neutro face às grandes questões mundiais.

1.4. O termo da prosperidade económica: origens e efeitos

        Os “trinta gloriosos” anos de abundância e crescimento económico do mundo capitalista cessaram bruscamente, em 1973
        A crise afectou essencialmente os sectores siderúrgico, a construção naval e automóvel bem como o têxtil. Muitas empresas fecharam, outras reconverteram a sua produção e o desemprego subiu em flecha.
Paralelamente a inflação tornou-se galopante. Este fenómeno inédito recebeu o nome de estaglaçao, termo que aglutina as palavras estagnação e inflação.

ê Os factores da crise

A interrupção do crescimento económico nos anos 70 deveu-se, sobretudo, à conjugação de 2 factores: a crise energética e a instabilidade monetária.
Nos finais da década de 60, o petróleo era a fonte de energia básica de que dependiam os países industrializados.
Em 1973, os países do Médio Oriente, membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiram subir o preço de venda do petróleo para o quádruplo, numa tentativa de pressionar o Ocidente a desistir de auxiliar Israel na guerra israelo-palestiniana.
Em 1979, a situação agravar-se-á com novas subidas de preço devido à crise política no Irão e à posterior guerra Irão-Iraque.
Estes “choques petrolíferos” que multiplicaram por 12 o preço do petróleo provocaram um acentuado aumento dos custos de produção dos artigos industriais e, consequentemente, o encarecimento dos artigos junto do consumidor, gerando uma escalada da inflação.  

Um outro factor determinante desta depressão económica foi a instabilidade monetária.
A excessiva quantidade de moeda posta em circulação pelos Estados Unidos levou o presidente Nixon a suspender a convertibilidade do dólar em ouro, o que desregulou o sistema monetário internacional. Segundo alguns analistas, foi esta instabilidade monetária, mais do que a crise energética, a responsável pelo enfraquecimento económico dos anos 70.

ê Uma crise relativa

A crise dos anos 70 introduziu um novo ciclo económico que intercala períodos de crescimento e estagnação.
       Ainda que a um ritmo mais lento, o crescimento económico manteve-se, alguns sectores industriais reconverteram-se, enquanto outros, ligados às novas tecnologias conheceram um forte impulso.
                Também no aspecto social esta crise não atingiu a dimensão estratégica da Grande Depressão. As estruturas do Estado Providência, reforçadas após o 2º conflito mundial, cumpriram cabalmente o seu papel, amparando o desemprego e evitando situações de miséria extrema e generalizada.