OBJECTO DA ESTATISTICA
"Ciência que dispõe de processos apropriados para recolher, organizar, classificar, apresentar e interpretar conjuntos de dados"
A estatística fornece-nos as técnicas para extrair informação de dados, os quais são muitas vezes incompletos, na medida em que nos dão informação útil sobre o problema em estudo, não realçando, no entanto, aspectos importantes.
É objectivo da Estatística extrair informação dos dados para obter uma melhor compreensão das situações que representam.
No estudo de um problema envolvendo métodos estatísticos, estes devem ser utilizados mesmo antes de se recolher a amostra, isto é, deve-se planear a experiência que nos vai permitir recolher os dados, de modo a que, posteriormente, se possa extrair o máximo de informação relevante para o problema em estudo, ou seja para a população de onde os dados provêm.
Uma vez os dados recolhidos, sob a forma de uma amostra, faz-se a redução e representação desses dados, utilizando as tabelas e os diferentes tipos de gráficos, sendo um dos principais objectivos desta fase, a identificação da estrutura subjacente aos dados, deixando de lado a aleatoriedade presente.
Seguidamente o objectivo do estudo estatístico pode ser o de estimar uma quantidade ou testar uma hipótese, utilizando-se técnicas estatísticas convenientes, as quais realçam toda a potencialidade da Estatística, na medida em que vão permitir tirar conclusões acerca de uma população, baseando-se numa pequena amostra, dando-nos ainda uma medida do erro cometido.
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POPULAÇAO E AMOSTRA
Uma noção fundamental em Estatística é a de conjunto ou agregado, conceito para o qual se usam, indiferentemente, os termos População ou universo.
2.1-População
Colecção de unidades individuais, que podem ser pessoas ou resultados experimentais, com uma ou mais características comuns, que se pretendem estudar.
Nem sempre é possível estudar exaustivamente todos os elementos da população!
Porquê?
- Pode a população ter dimensão infinita
Exemplo: População constituída pelas pressões atmosféricas, nos diferentes pontos de uma cidade.
- Pode o estudo da população levar à destruição da população
Exemplo: População dos fósforos de uma caixa.
- Pode o estudo da população ser muito dispendioso
Exemplo: Sondagens exaustivas de todos os eleitores, sobre determinado candidato.
2.2. AMOSTRA
Quando não é possível estudar, exaustivamente, todos os elementos da população, estudam-se só alguns elementos, a que damos o nome de Amostra.
Conjunto de dados ou observações, recolhidos a partir de um subconjunto da população, que se estuda com o objectivo de tirar conclusões para a população de onde foi recolhida.
É importante a fase de recolha da amostra?
Sim, pois a amostra deve ser tão representativa quanto possível da População que se pretende estudar, uma vez que vai ser a partir do estudo da amostra, que vamos tirar conclusões para a População.
Quando a amostra não representa correctamente a população diz-se enviesada e a sua utilização pode dar origem a interpretações erradas, como se sugere nos seguintes exemplos:
- Utilizar uma amostra constituída por 10 benfiquistas, para prever o vencedor do próximo Benfica-Sporting.
- Utilizar uma amostra constituída pelos leitores habituais de determinada revista especializada, para tirar conclusões sobre a população geral.
3- RECENSEAMENTO E SONDAGEM
RECENSEAMENTO
O termo recenseamento está, em regra geral, associado à contagem oficial e periódica dos indivíduos de um País, ou parte de um País. Ele abrange, no entanto, um leque mais vasto de situações. Assim, pode definir-se recenseamento do seguinte modo:
estudo científico de um universo de pessoas, instituições ou objectos físicos com o propósito de adquirir conhecimentos, observando todos os seus elementos, e fazer juízos quantitativos acerca de características importantes desse universo.
Para a maioria das pessoas a palavra recenseamento ou censo encontra-se associada à enumeração dos elementos da população de um País. Em Portugal, de dez em dez anos, realiza-se o Recenseamento Geral da População. O último ocorreu em 2001, encontrando-se disponíveis na Internet (Infoline - Serviço de Informação On Line do INE) os resultados desses censos - Censos 2001.
SONDAGEM
Por vezes não é viável nem desejável, principalmente quando o número de elementos da população é muito elevado, inquirir todos os seus elementos sempre que se quer estudar uma ou mais características particulares dessa população.
Assim surge o conceito de sondagem, que se pode tentar definir como:
estudo científico de uma parte de uma população com o objectivo de estudar atitudes, hábitos e preferências da população relativamente a acontecimentos, circunstâncias e assuntos de interesse comum.
É fundamental referir que, contrariamente ao recenseamento, as sondagens inquirem ou analisam apenas uma parte da população em estudo, isto é, restrinjem-se a uma amostra dessa população, mas com o objectivo de extrapolar para todos os elementos da população os resultados observados na amostra.
4- ESTATISTICA DESCRITIVA E ESTATISTICA INDUTIVA
De acordo com o que dissemos anteriormente, numa análise estatística distinguem-se essencialmente duas fases:
Uma primeira fase em que se procura descrever e estudar a amostra:
Estatística Descritiva
e uma segunda fase em que se procura tirar conclusões para a população:
Estatística Indutiva
Resumindo, podemos dizer que uma análise estatística envolve duas fases fundamentais, com objectivos distintos:
1ª Fase Estatística Descritiva
Procura-se descrever a amostra, pondo em evidência as características principais e as propriedades.
2ª Fase Estatística Indutiva
Conhecidas certas propriedades (obtidas a partir de uma análise descritiva da amostra), expressas por meio de proposições, imaginam-se proposições mais gerais, que exprimam a existência de leis (na população).
No entanto, ao contrário das proposições deduzidas, não podemos dizer que são falsas ou verdadeiras, já que foram verificadas sobre um conjunto restrito de indivíduos, e portanto não são falsas, mas não foram verificadas para todos os indivíduos da População, pelo que também não podemos afirmar que são verdadeiras !
Existe, assim, um certo grau de incerteza (percentagem de erro) que é medido em termos de Probabilidade.
Será que é necessário o conceito de Probabilidade para se poder fazer Estatística?
De acordo com o que dissemos anteriormente sobre a Estatística Indutiva, precisamos aqui da noção de Probabilidade, para medir o grau de incerteza que existe, quando tiramos uma conclusão para a população, a partir da observação da amostra.
Exemplo :
Tendo-se concluído, que de uma amostra constituída por 1000 eleitores, 63.5% desses eleitores pensavam votar no actual Presidente da Câmara, pode-se mostrar que, com uma confiança de 95%, a percentagem de eleitores da População de onde foi recolhida a amostra se situa no intervalo [60.5%, 66.5%].
5- CAMPOS DE APLICAÇÃO
"Os campos de aplicação da Estatística são muitos e os mais variados."
Estudos de
mercado
O gerente de uma fábrica de detergentes pretende lançar um novo produto para lavar a loiça, pelo que, encarrega uma empresa especialista em estudos de mercado de "estimar" a percentagem de potenciais compradores desse produto.
População: conjunto de todos os agregados familiares do País
Amostra: conjunto de alguns agregados familiares, inquiridos pela empresa
Problema: pretende-se, a partir da percentagem de respostas afirmativas, de entre os inquiridos sobre a compra do novo produto, obter uma estimativa do número de compradores na População.
"Os campos de aplicação da Estatística são muitos e os mais variados."
Medicina
Pretende-se estudar o efeito de um novo medicamento para curar determinada doença. É seleccionado um grupo de 20 doentes, administrando-se o novo medicamento a 10 desses doentes escolhidos ao acaso e o medicamento habitual aos restantes.
População: conjunto de todos os doentes com a doença que o medicamento a estudar pretende tratar.
Amostra: conjunto dos 20 doentes seleccionados
Problema: pretende-se, a partir dos resultados obtidos, realizar um "teste de hipóteses" para tomar uma decisão sobre qual dos medicamentos é melhor.
"Os campos de aplicação da Estatística são muitos e os mais variados."
Controle de Qualidade
O administrador de uma fábrica de parafusos pretende assegurar-se de que a percentagem de peças defeituosas não excede um determinado valor, a partir do qual determinada encomenda poderia ser rejeitada.
População: conjunto de todos os parafusos fabricados ou a fabricar pela fábrica, utilizando o mesmo processo.
Amostra: conjunto de parafusos escolhidos ao acaso de entre o lote de produzidos.
Problema: pretende-se, a partir da percentagem de parafusos defeituosos presentes na amostra, "estimar" a percentagem de defeituosos em toda a produção.
"Os campos de aplicação da Estatística são muitos e os mais variados."
Pedagogia
Um conjunto de pedagogos desenvolveu uma técnica nova para a aprendizagem da leitura, na escola primária, a qual, segundo dizem, encurta o tempo de aprendizagem relativamente ao método tradicional.
População: conjunto de todos os alunos que entram para a escola primária, sem saber ler.
Amostra: conjunto de alunos de algumas escolas seleccionadas para este estudo. Os alunos foram separados em dois grupos para se aplicarem as duas técnicas em confronto.
Problema: do estudo da amostra, decidir qual a técnica melhor.
Os meus apontamentos: Matéria de 12º ano + 1º semestre de Antropologia e Antropologia Económica + Matéria de CPRI (História das Relações Internacionais; Território e Sociedades; Estudos de Segurança Internacional)
terça-feira, 1 de novembro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
HA 26.10
Modulo I; II (1ª à 9ª aula)
2ª aula: O ANIMISMO UNIVERSAL DE EDWARD TYLOR
1 – Evolucionismo, corrente fundadora da Antropologia
2 – A Antropologia de Edward Tylor
2.1. – Conceitos de desenvolvimento
2.2. – A teoria animista
2.3. – Conceito de sobrevivência (survival)
2.3.1. – O caso do folclore
2.4. – Conceito de revivescência (revival)
1. Evolucionismo
A marca distinta do Evolucionismo cultural:
» Considerar como primitivos os sem escrita contemporâneos
» Reconstituir a humanidade pré-histórica através da etnografia exótica.
A etnografia exótica quebrava o silencio dos ossos…
A Antropologia ia mais longe do que a Arqueologia chegava às condições sociais e psicológicas da humanidade primitiva.
Selvagens contemporâneos «» primitivismo
- África, Américas…
Afecta o mundo desenvolvido.
Esquemas complexos de parentesco – aborigenes australianos – Sec XIX
RELIGIÃO: Evolucionistas contra a Igreja (degeneracionismo bíblico)
Mapa do Mundo bíblico com os povos descendentes dos três filhos de Noé.
Ao alargar-se à percepção do Mundo, os povos dos outros continentes também foram vistos de acordo com a interpretação bíblica.
- Descendentes de Noé NÃO acreditavam em Deus – DEGENERADOS.
O Evolucionismo cultural fundou a Antropologia porque:
- Rejeitou as explicações bíblicas
- Rejeitou as explicações racistas
Edward Tylor (1832 – 1917)
Estabelece o principio da unidade psíquica
Pai – fundador da Antropologia cultural
1º professor de Antropologia na Universidade de Oxford, a partir de 1886.
Obra Primitive Culture: 1871
Selvajaria e civilização: dicotomia?!
Selvajaria: A chave da civilização
Vitorianos (cristão) » Costela selvagem
Espiritismo – Alvo de Edward Tylor
2.1. Conceito de desenvolvimento
Imaculada conceição:
- a crença na gravidez por intervenção de agentes sobrenaturais era primitiva, mas o cristianismo submetera-a a vários desenvolvimentos.
James Frazer (best seller Antropologia)
1980 The Golden Bough
Desenvolvimento:
A historia religiosa da humanidade caracterizava-se pela permanência de ideias pre-historicas embora sujeitas a progressivas adaptações a novos contextos mais civilizados.
Essas adaptações, que podiam ser de natureza moral, filosóficas, estética, etc, eram desenvolvimentos de uma herança que não desaparecia.
2.2. Teoria animista
ANIMISMO
Para Tylor, todas as civilizações são animistas
Religião = crença em seres espirituais
“Onde estão as raízes, encontram-se os ramos”
ANIMA (Latim) – Alma
Tylor: visão intelectualista da religião
Alma – animação da natureza; espíritos independentes do corpo.
Positivista: Tylor não acredita em espíritos mas sabe que existe a crença.
2.3. Conceito de Sobrevivência
Halloween
Vampirismo
Sobrevivencia pardial (?)
Não é um desenvolvimento.
Ex: acreditar em crenças no demónio, relações carnais, pessoas possuídas, exorcismo, …
Relíquias católicas
2.3.1. O caso do folclore
Camponeses europeus do séc. XIX
» fieis representantes dos antepassados
» primitivos
» valiosos para os evolucionistas
» sobrevivência!
Para Tylor, as tradições camponesas da Europa não constituíam um sistema religioso vivo e harmonioso, mas sim uma tela fragmentada de reliquias pre-historicas mantidas apenas pelo peso da tradição – isto é, eram sobrevivências.
2.4. Revival (Conceito de Revivescência)
(…)
(A partir da Ficha Americana)
Segundo Tylor, os povos não passavam por uma etapa da sua evolução religiosa caracterizada pela crença na reencarnação das almas.
Em Primitive Culture, Tylor não considerava que o animismo tinha sido a religião do homem pré-histórico.
O Evolucionismo de Tylor não era degeneracionista.
A essência de todas as religiões não era a crença em seres espirituais.
Tylor considerava que a ideia de alma era o protótipo de todos os seres espirituais.
Os papas da Idade Média e a Inquisição foram responsáveis pela revivescência da crença nas bruxas.
A ideia cristã de alma imortal era um desenvolvimento histórico de uma ideia pre-historica.
Halloween – sobrevivência.
Uma ideia que permanecesse por peso da tradição era uma sobrevivência.
A antropologia de Tylor era intelectualista, reduzia os fenómenos religiosos e mágicos e associações de ideias erradas, descurando a sua dimensão sociológica, emocional e simbólica.
Comparava os conteúdos literais muito afastados no tempo e no espaço.
3ª aula: VIAJANTES, EXPLORADORES E MISSIONÁRIOS
Henry Callaway – missionário inglês na Zululândia
1870 The Religious System of the Amazulu
» O testemunho de Umpengula Mbanda, informador de Henry Callaway, é muito revelador do contexto colonial da época.
“Há Amatongo que são cobras”
Primeiro Homem: Umvelinqangi Unkulunkulu
Izinyanga (feiticeiros)
Itongo – singular de Amatongo
Ukwaba equivale a criar
Umvelinqangi surgiu imediatamente antes dos homens
“Unkulunkulu diz que os homens não morrem” / “Unkulunkulu diz que os homens tem que morrer” » falso testemunho (distorção)
Amatongo = mortos da sua tribo (Pretos)
Distinguir serpentes:
Imamba preta e imamba verde – INYANDEZULU (representam os chefes)
Ubelebe e Umzingandhlu (representam pessoas comuns)
Geralmente são os homens que tem marcas
Itongo não provoca um sentimento de medo nos homens
“Não tenham medo. Sou eu”
4ª aula - Franz Boas
(baseada na ficha)
Sacred Bundle – expressão que designa a Antropologia norte-americana
Boas – Judeu alemão que emigrou para os EUA e foi professor na universidade Columbia Uni em NY
Boas esteve na origem da corrente culturalista
Chamava os Kwakwaka’wakw de Kwakiutl
A expressão Volksgeist significa espirito de um povo.
Antropologia: baseado na observação de que os mesmos fenómenos étnicos ocorrem entre os povos mais diversos – na confrangedora monotonia das ideias fundamentais da Humanidade por todo o globo.
Edward Tylor: influenciado por Bastian.
As ideias mais trincadas, os costumes mais curiosos e complexos – o pressuposto de uma origem histórica comum entre elas fica excluído.
«Origem histórica comum» - Boas expõe ideias evolucionistas, e não o seu próprio pensamento.
Na cultura de qualquer tribo podem-se encontrar traços mais ou menos análogos aos dessa cultura numa grande diversidade de povos.
Quando encontramos traços análogos entre povos distantes, o pressuposto não e que existe uma fonte histórica comum, mas que surgiram de forma independente.
Franz Boas caracteriza uma antropologia com a qual discorda (!!!)
A investigação cientifica deve responder a pergunta: como é que elas se manifestam em culturas diferentes?
Estudos comparativos tentam explicar costumes e ideias de notável similaridade, encontrados em diferentes lugares.
O facto de muitos traços de cultura fundamentais serem universais leva a conclusão de que existe um único grande sistema. Todas as variações que ocorrem são apenas pormenores nessa grande e uniforme evolução.
Teoria que tem como base o pressuposto de que os mesmos fenómenos se devem as mesmas causas.
Metodo aplicado com frequência: compara as variações em que ocorrem os costumes e as crenças
Outro método: estudar pormenorizadamente os costumes, em simultâneo com a investigação da sua distribuição geográfica.
O método de começar com uma hipótese e infinitamente inferior aquele em que se faz derivar a historia real de determinados fenómenos.
A sua aplicação baseia-se numa pequena área geográfica bem definida
Embora defendesse os estudos de difusão cultural, boas criticava os usos exagerados da ideia de difusão.
Difusionismo: corrente antropológica importante, sobretudo na Alemanha na viragem do sec XX.
Ideia de difusão na corrente britânica: hiperdifusionismo ou heliocentrismo. 1920 – segundo a qual o Egipto tinha sido o polo irradiador de todas as culturas. Relacionava-se com as descobertas arqueológicas da altura.
Atraves da comparação de historias de desenvolvimento, podem ser encontrados princípios gerais.
Metodo mais seguro que o comparativo, porque em lugar de uma hipótese sobre o modo de desenvolvimento, a historia real constituiu a base das nossas deduções.
Funçao do método histórico em Antropologia: capacidade de descobrir os processos que em determinados casos levaram ao desenvolvimento de certos costumes.
Deve comparar os processos de crescimento, e podem ser descobertos através de estudos das culturas de pequenas áreas geográficas.
5ª aula: Kroeber
(baseada na ficha)
KROEBER: 1876 – 1960
Para Kroeber, se Mozard tivesse nascido em Africa, seria a mesma um genio, mas ninguém saberia da sua existência.
O que distingue uma sociedade de formigas de uma humana é que a de formigas se reproduz organicamente
Achava que o racismo do sul dos EUA era uma manifestação cultural
Achava que, ao estudar a cultura, o antropólogo devia deixar de lado o estudo do individuo enquanto tal
Estudar o ethos de uma cultura era o que havia de mais essencial
As normas de uma sociedade eram o que lhe interessava
O conceito de integração designava a tendência de uma cultura para se direccionar no mesmo sentido
A forma como o individuo grita de dor é determinada culturalmente
Procurou combater o racismo da sua altura
SUPERORGANICO – 1917
Experiencia, um bebe francês, nascido em frança, mas depois confiado a uma ama que não deixa ninguém tocar-lhe ou ve lo. Entrega-o a uma família chinesa
Resultado: nenhuma palavra de francês, chines puro.
A sua fala é totalmente dos seus companheiros
A sua língua não e hereditária
A linguagem humana é SOCIAL
Verifica-se na vida humana uma serie de expressões do tipo do grito dos animais: o grito e involuntário. Acçao reflexa.
Particulas moldadas pela moda, costume, pelo tipo de civilização a qual pertencemos.
Herodoto narra a historia de um farao egípcio que mandou criar alguns bebes isolados, tendo como companhia cabras. Primeiro grito: Bekos. O rei mandou pesquisar o nome, e verificou-se que no idioma Frigio significava pao. (frigio – língua original da humanidade)
6ª aula: Thomas Buckley
Fotografia, 1915, com o ultimo “Yahi Indian”, o Ishi. Foto com Paul Radin e Thomas Waterman
25-05-1916 Ishi morre de tuberculose
Kroeber culpa-se de ter estado ausente (“guilt for being away from California)
1914 Salvage Ethnographic california
Caso encerrado devido a morte de Ishi
15 anos de estudo na California
Handbook of the indians of california – 1915 obra completa, 1917 pedida para publicar, 1918 publicada.
Pesquisa de Kroeber: 1900-1914
Seminario de F.Boas em 1896
1897: começa a estudar antropologia
1898: Assistente na área de antropologia
Pesquisa para doutorado: Arapahoe Indians. Publicada em 1901
1903 pesquisa objectivos , materiais culturais e linguísticos
12 colaboradores
“the Little history” – morte de Ishi
White vigilantes: exterminam Ishis mil creek
1849 ate 1900 – 90% da pop india acaba.
Omissao da historia das tribos por parte de Kroeber. Lado sentimental
Esteve com Hearst ate 1908
Escravos 1880’s
Efeitos da invasão dos nativos californianos
YUROK indian
Kroeber não era indiferente ao sofrimento das tribos!
7ª aula – Ruth Benedict
Civilizaçao moderna: divisão factores externos incontroláveis – interacção complicada
Padroes diferentes – origens moralidade.
Integraçao de culturas - comportamento não so pelo factor de criação do homem
Cultura não e apenas a soma dos constituintes
Estudo da cultura viva: primordial
Mudança do estudo de uma cultura para varias: mudança no pensamento e no estudo antropológicos
Culturas mais simples esclarecem factos sociais
Escolha de três civilizações.
PUEBLO:
Cultura intacta, rotinas correspondentes ao passado, rituais mantidos, cidades indias
KIVA- camara subterrânea
Cerimonial Zuni – povo reverente
Interesses: vida cerimonial – rituais
Práticas zuñi – sobrenaturalmente poderosas
Oraçoes suaves e cerimoniosas
Grande propósito: chuva, transmite ideia de fatalidade
Dever: não sentir cólera (sinal de concentração; estado de espirito)
Deuses dançarinos: Kachinas. Chefes do sobrenatural, q vivem no fundo de um lago, a dançar.
Sacerdotes Kachina. Não dançam.
Mulheres: donas da casa e do que la está.
Elo social: clã matrilinear.
Irmao: mais importante que o marido.
Homens:
» termos económicos: fazem parte
» termos de grupo cerimonial, estranhos
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Felizmente 2
Conteúdos essenciais:
Modo dramático
Aspectos simbólicos
Paralelismo entre o passado e as condições históricas dos anos 60: denúncia da violência e da opressão
Valores da liberdade e do patriotismo
CLASSIFICAÇÃO LITERÁRIA DA OBRA
Trata-se de um drama narrativo de carácter épico. Segue a linha de Brecht e mostra o mundo e o homem em constante transformação; mostra a preocupação com o homem e o seu destino, a luta contra a miséria e a alienação e a denúncia da ausência de moral; alerta para a necessidade de uma sociedade solidária que permita a verdadeira realização do homem.
De acordo com Brecht, Sttau Monteiro proporciona uma análise crítica da sociedade, mostrando a realidade, de modo a levar os espectadores a reagir criticamente e a tomar uma posição.
Técnicas do teatro épico (brechtiano) para criar a distanciação:
Cenário: o luar, a fogueira
A interacção de múltiplas linguagens: luz, som, música, projecção de diapositivos…
A representação das personagens…
A narração de acontecimentos ocorridos no passado…
O papel activo do espectador: reflectir para agir.
A peça propõe uma reflexão sobre a dialéctica da revolução e da contra-revolução.
AS INDICAÇÕES CÉNICAS (FUNÇÕES)
AS DIDASCÁLIAS (no interior do texto)
entrada ou saída de personagens em cena
posição das personagens em cena (de pé, sentado, de costas)
movimentação cénica
Iluminação (jogo luz / sombra)
guarda-roupa
decoração / mobiliário (adereços)
pausas e tipo de discurso
AS INDICAÇÕES CÉNICAS (FUNÇÕES)
AS NOTAS À MARGEM:
explicações do autor / indicações aos actores
caracterização do tom de voz das personagens
apresentação da dimensão interior das personagens (estado de espírito)
indicações sonoras ou ausência de som
sugestão do aspecto exterior das personagens
.......
O espaço cénico
Os jogos de sombra / luz e a posição das personagens em palco contribuem para a representação do espaço físico e social.
O espaço físico
Lisboa – o macroespaço:
A Baixa (onde se situa a Regência);
O Rato (onde fica a casa do General Gomes Freire de Andrade e Matilde de Melo);
O Campo de Sant’Ana (local das execuções);
A Serra de Santo António (da qual se avista S. Julião da Barra);
Outras referências: a zona do Tejo e a Sé.
Lisboa é o espaço onde se inicia a rebelião do povo contra a opressão.
espaço social
O povo oprimido
A nobreza e o rei (o regime absolutista)
Os governadores e sua ideologia
A aliança entre Portugal e Inglaterra
Os delatores
A Maçonaria
A injustiça e desigualdade sociais
A opressão e falta de liberdade
O PARALELISMO HISTÓRICO-SOCIAL (SÉCULO XX)
A moeda
A renúncia à esperança através da venda da própria alma
A “traição” do povo
A traição da Igreja (a corrupção do Principal Sousa as trinta moedas de Judas Escariote)
As cores:
VERMELHO: vida e morte; o sagrado
PRETO: luto opressivo
VERDE: esperança
A saia verde
EM VIDA: a esperança, a felicidade, o amor, a liberdade
NA MORTE: a alegria do reencontro, a tranquilidade
A fogueira:
PRESENTE: a tristeza, a escuridão, a repressão e o terror
FUTURO: a esperança, a liberdade ( Fénix Renascida)
O luar:
A NOITE: a morte, a opressão, a infelicidade
A LUZ: a vida, a liberdade, a felicidade
A LUA: a renovação (e crescimento)
“Felizmente há luar!”:
OPRESSORES: efeito dissuasor
Fogueira: purificadora da sociedade
OPRIMIDOS: efeito libertador (coragem e estímulo para a revolta contra a tirania)
Fogueira: alerta e luz que ilumina o caminho para a liberdade
...
O paralelismo histórico-metafórico:
O Século XIX = metáfora do Século XX
General Gomes Freire de Andrade e General Humberto Delgado
13
25
Sec. XIX / Séc. XX
Épocas de crise - violência do poder e ausência de liberdade.
Épocas em que aparecem manifestações reclamando o direito à justiça e à liberdade.
Épocas que anunciam o nascimento de novos tempos (liberalismo oitocentista e o 25 de Abril de 74)
A apologia dos valores: liberdade e patriotismo
•A «Apoteose trágica»:
O apelo à luta contra o regime opressivo (contra o fascismo)
Outros “hinos” à Resistência (canções revolucionárias…)
A Revolução de Abril
Os ideais: liberdade e patriotismo.
Modo dramático
Aspectos simbólicos
Paralelismo entre o passado e as condições históricas dos anos 60: denúncia da violência e da opressão
Valores da liberdade e do patriotismo
CLASSIFICAÇÃO LITERÁRIA DA OBRA
Trata-se de um drama narrativo de carácter épico. Segue a linha de Brecht e mostra o mundo e o homem em constante transformação; mostra a preocupação com o homem e o seu destino, a luta contra a miséria e a alienação e a denúncia da ausência de moral; alerta para a necessidade de uma sociedade solidária que permita a verdadeira realização do homem.
De acordo com Brecht, Sttau Monteiro proporciona uma análise crítica da sociedade, mostrando a realidade, de modo a levar os espectadores a reagir criticamente e a tomar uma posição.
Técnicas do teatro épico (brechtiano) para criar a distanciação:
Cenário: o luar, a fogueira
A interacção de múltiplas linguagens: luz, som, música, projecção de diapositivos…
A representação das personagens…
A narração de acontecimentos ocorridos no passado…
O papel activo do espectador: reflectir para agir.
A peça propõe uma reflexão sobre a dialéctica da revolução e da contra-revolução.
AS INDICAÇÕES CÉNICAS (FUNÇÕES)
AS DIDASCÁLIAS (no interior do texto)
entrada ou saída de personagens em cena
posição das personagens em cena (de pé, sentado, de costas)
movimentação cénica
Iluminação (jogo luz / sombra)
guarda-roupa
decoração / mobiliário (adereços)
pausas e tipo de discurso
AS INDICAÇÕES CÉNICAS (FUNÇÕES)
AS NOTAS À MARGEM:
explicações do autor / indicações aos actores
caracterização do tom de voz das personagens
apresentação da dimensão interior das personagens (estado de espírito)
indicações sonoras ou ausência de som
sugestão do aspecto exterior das personagens
.......
O espaço cénico
Os jogos de sombra / luz e a posição das personagens em palco contribuem para a representação do espaço físico e social.
O espaço físico
Lisboa – o macroespaço:
A Baixa (onde se situa a Regência);
O Rato (onde fica a casa do General Gomes Freire de Andrade e Matilde de Melo);
O Campo de Sant’Ana (local das execuções);
A Serra de Santo António (da qual se avista S. Julião da Barra);
Outras referências: a zona do Tejo e a Sé.
Lisboa é o espaço onde se inicia a rebelião do povo contra a opressão.
espaço social
O povo oprimido
A nobreza e o rei (o regime absolutista)
Os governadores e sua ideologia
A aliança entre Portugal e Inglaterra
Os delatores
A Maçonaria
A injustiça e desigualdade sociais
A opressão e falta de liberdade
O PARALELISMO HISTÓRICO-SOCIAL (SÉCULO XX)
A moeda
A renúncia à esperança através da venda da própria alma
A “traição” do povo
A traição da Igreja (a corrupção do Principal Sousa as trinta moedas de Judas Escariote)
As cores:
VERMELHO: vida e morte; o sagrado
PRETO: luto opressivo
VERDE: esperança
A saia verde
EM VIDA: a esperança, a felicidade, o amor, a liberdade
NA MORTE: a alegria do reencontro, a tranquilidade
A fogueira:
PRESENTE: a tristeza, a escuridão, a repressão e o terror
FUTURO: a esperança, a liberdade ( Fénix Renascida)
O luar:
A NOITE: a morte, a opressão, a infelicidade
A LUZ: a vida, a liberdade, a felicidade
A LUA: a renovação (e crescimento)
“Felizmente há luar!”:
OPRESSORES: efeito dissuasor
Fogueira: purificadora da sociedade
OPRIMIDOS: efeito libertador (coragem e estímulo para a revolta contra a tirania)
Fogueira: alerta e luz que ilumina o caminho para a liberdade
...
O paralelismo histórico-metafórico:
O Século XIX = metáfora do Século XX
General Gomes Freire de Andrade e General Humberto Delgado
13
25
Sec. XIX / Séc. XX
Épocas de crise - violência do poder e ausência de liberdade.
Épocas em que aparecem manifestações reclamando o direito à justiça e à liberdade.
Épocas que anunciam o nascimento de novos tempos (liberalismo oitocentista e o 25 de Abril de 74)
A apologia dos valores: liberdade e patriotismo
•A «Apoteose trágica»:
O apelo à luta contra o regime opressivo (contra o fascismo)
Outros “hinos” à Resistência (canções revolucionárias…)
A Revolução de Abril
Os ideais: liberdade e patriotismo.
Felizmente há luar.
Século XIX – metáfora do século XX
Felizmente Há Luar! é a metáfora que resulta do efeito de distanciação utilizado por Brecht.
Bertolt Brecht pretendia que o espectador mantivesse uma posição de distanciamento em relação ao que via e ouvia para que, assim, pudesse raciocinar sobre o que lhe era “pedido”. Não havia o propósito de o público se emocionar com os actores que representavam a história; pelo contrário, teria de haver um distanciamento para que reflectissem e analisassem.
Tal como Brecht, Luís de Sttau Monteiro também utiliza o efeito de distanciação para levar o público a agir criticamente, submetendo o passado a um novo olhar, o do presente. O exemplo do passado (século XIX – o regime absolutista, antiliberal, a opressão política, a condenação injusta de Gomes Freire de Andrade...) serve unicamente para conduzir o espectador à compreensão do presente (século XX – o regime autoritário, nacionalista, a censura levada a cabo pelo Comité de Censura, a condenação de muitos militantes antifascistas...).
Sttau Monteiro serve-se da figura do general Gomes Freire de Andrade (1817) e da sua morte em praça pública para chamar a atenção para as injustiças sociais do seu tempo (década de 60), convidando o público a assumir uma posição crítica face ao que vê, na tentativa de fazê-lo agir, como testemunha que é.
Paralelismo entre o século XIX e a realidade do século XX:
▪ ideais de autoritarismo, opressão, ditadura;
▪ tentativas falhadas de revolução no sentido do triunfo das ideias liberais;
▪ aliança entre a Igreja e o Estado;
▪ movimentos de conspiração que reflectem uma tomada de consciência liberal por alguns sectores da sociedade portuguesa;
▪ “agentes secretos” que informam da existência de revoltosos, silenciando-os;
▪ “mártires da liberdade” perseguidos e condenados;
▪ grandes contrastes entre os poderosos e o povo que vive na miséria;
▪ luta do povo, oprimido, explorado, desarmado, exausto e ansioso por mudança.
A intencionalidade da obra
Servindo-se de uma metáfora (século XIX) para atingir o presente (século XX), Felizmente Há Luar! revela uma dupla intenção crítica: à sociedade oitocentista (1817) feita de uma forma clara e bem explícita, e à sociedade da época de 60, feita de uma forma camuflada, através da técnica de distanciação, que ilustra a doutrina do teatro épico, de participação política, preconizado por Brecht. É com ela que Sttau Monteiro obriga o leitor - espectador a analisar e a reflectir sobre a situação política, social, económica e cultural do país, nomeadamente sobre o regime opressivo vigente que se fazia notar através das injustiças, das condenações e das torturas de todos aqueles que não comungavam das ideias salazaristas.
É notória a preocupação do autor em despertar as consciências, levando o espectador a ser um agente de mudança, que reage criticamente e que toma decisões.
Felizmente Há Luar! é a metáfora que resulta do efeito de distanciação utilizado por Brecht.
Bertolt Brecht pretendia que o espectador mantivesse uma posição de distanciamento em relação ao que via e ouvia para que, assim, pudesse raciocinar sobre o que lhe era “pedido”. Não havia o propósito de o público se emocionar com os actores que representavam a história; pelo contrário, teria de haver um distanciamento para que reflectissem e analisassem.
Tal como Brecht, Luís de Sttau Monteiro também utiliza o efeito de distanciação para levar o público a agir criticamente, submetendo o passado a um novo olhar, o do presente. O exemplo do passado (século XIX – o regime absolutista, antiliberal, a opressão política, a condenação injusta de Gomes Freire de Andrade...) serve unicamente para conduzir o espectador à compreensão do presente (século XX – o regime autoritário, nacionalista, a censura levada a cabo pelo Comité de Censura, a condenação de muitos militantes antifascistas...).
Sttau Monteiro serve-se da figura do general Gomes Freire de Andrade (1817) e da sua morte em praça pública para chamar a atenção para as injustiças sociais do seu tempo (década de 60), convidando o público a assumir uma posição crítica face ao que vê, na tentativa de fazê-lo agir, como testemunha que é.
Paralelismo entre o século XIX e a realidade do século XX:
▪ ideais de autoritarismo, opressão, ditadura;
▪ tentativas falhadas de revolução no sentido do triunfo das ideias liberais;
▪ aliança entre a Igreja e o Estado;
▪ movimentos de conspiração que reflectem uma tomada de consciência liberal por alguns sectores da sociedade portuguesa;
▪ “agentes secretos” que informam da existência de revoltosos, silenciando-os;
▪ “mártires da liberdade” perseguidos e condenados;
▪ grandes contrastes entre os poderosos e o povo que vive na miséria;
▪ luta do povo, oprimido, explorado, desarmado, exausto e ansioso por mudança.
A intencionalidade da obra
Servindo-se de uma metáfora (século XIX) para atingir o presente (século XX), Felizmente Há Luar! revela uma dupla intenção crítica: à sociedade oitocentista (1817) feita de uma forma clara e bem explícita, e à sociedade da época de 60, feita de uma forma camuflada, através da técnica de distanciação, que ilustra a doutrina do teatro épico, de participação política, preconizado por Brecht. É com ela que Sttau Monteiro obriga o leitor - espectador a analisar e a reflectir sobre a situação política, social, económica e cultural do país, nomeadamente sobre o regime opressivo vigente que se fazia notar através das injustiças, das condenações e das torturas de todos aqueles que não comungavam das ideias salazaristas.
É notória a preocupação do autor em despertar as consciências, levando o espectador a ser um agente de mudança, que reage criticamente e que toma decisões.
domingo, 5 de junho de 2011
lado histórico
A História e a ficção
No romance, entrelaçam-se os dados históricos com os ficcionais e são estes que vão dar maior encanto
à narrativa.
O lado histórico
A história passa-se no século XVIII. Começa por volta de 1711, três anos após o casamento do rei D. João V com D. Maria Ana Josefa de Áustria. Termina em 1739, vinte e dois anos depois, quando se realiza um auto-de-fé em que morre António José da Silva. Os acontecimentos e as personagens são reais, as datas respeitam o que se passou na época.
As referências ligadas ao Convento de Mafra, na realidade correspondem à verdade histórica, por exemplo, a bênção da primeira pedra do Convento, cujas cerimónias tiveram início no dia 17 de Novembro de 1717.
Factos que são considerados históricos por poderem ser comprovados em livros e crónicas da época:
A indecisão do rei quanto ao número de frades;
O voto de D. João V que originou a construção do convento;
A matéria-prima e os artistas que vieram de vários países da Europa e do Brasil;
O desejo do rei de que a cerimónia da sagração coincidisse com o seu aniversário;
O trabalho que foi exigido aos operários para que os prazos fossem cumpridos;
O recrutamento obrigatório feito a nível nacional;
A origem das pedras de Pêro Pinheiro;
O casamento dos infantes portugueses e espanhóis;
O músico italiano Domenico Scarlatti que veio para Portugal para dar lições à infanta D. Maria
Bárbara;
Os autos-de-fé e as perseguições levadas a cabo pela Inquisição;
A construção da passarola pelo padre Bartolomeu de Gusmão.
O lado ficcional
O narrador, consciente de que só as pessoas das classes altas se imortalizam na História, tenta
individualizar o maior número de elementos pertencentes ao povo para que também sejam lembrados e
assim se faça justiça. Assim se explica a referência aos trabalhadores Francisco Marques, Manuel milho,
Álvaro Diogo, João Francisco, José Pequeno, Joaquim Rocha, Julião Mau -Tempo.
Outras personagens ficcionais sao:
Sebastiana Maria de Jesus - mae de Blimunda, degredada para Angola;
Alvaro Diogo e Ines Antonia - irma e cunhado de Baltasar;
Joao Francisco e Marta Maria - pais de Baltasar;
Joao Elvas - antigo soldado amigo de Baltasar;
Baltasar e Blimunda - casal amoroso cuja relacao plena de magia nos faz aderir a sua forma de estar na vida. Sao eles tambem os construtores da passarola criando um espaco de evasao do real e ajudando a materializar um sonho.
Ha factos historicos que sao relatados e simultaneamente envolvidos com aspectos ficcionais. Bartolomeu de Gusmao e uma dessas personagens que, apesar de ser historica e ter realmente existido, aparece na obra com aspectos ficcionais que envolvem a construcao da passarola e a sua amizade com Baltasar e Blimunda. A passarola de Bartolomeu de Gusmao entra no plano da ficcao ao ser movida pelas 'vontades' recolhidas por Blimunda.
O NARRADOR. LINGUAGEM E ESTILO
No romance Memorial do Convento o narrador e, geralmente, heterodiegetico, ou seja, trata-se de uma entidade exterior a historia que assume a funcao de relatar os acontecimentos.
O narrador tem um conhecimento absoluto dos eventos e fornece, sobre eles, as informacoes necessarias para que a historia se revista de uma coerencia intrinseca, facultando as relacoes logicas, ao nivel da diegese.
O tipo de focalizacao predominante na obra e omnisciente. Ao longo da obra esta presente um narrador que nao e participante, e omnisciente e a sua presenca torna-se bem visivel estabelecendo uma comunicacao activa com o leitor.
O narrador encontra-se dentro do romance criticando, explicando, sentenciando.
Sao marcas do estilo de Saramago:
- A satira, com recurso a ironia, a linguagem depreciativa e humoristica, a subversao de citacoes biblicas e de proverbios;
- A ruptura com as regras de pontuacao introduzindo um peculiar discurso directo sem utilizar os sinais graficos ao abolir os dois pontos, os travessoes e o ponto de interrogacao e ao utilizar a maiuscula apos uma virgula;
- A presenca do narrador - autor com comentarios, apartes e frases sentenciosas,
- A intertextualidade frequente com Os Lusiadas de Luis de Camoes;
- O uso de formas verbais no presente, no futuro e no gerundio;- Utilizacao do paralelismo de construcao e do polissindeto;
- A enumeracao;
„- A metafora;
„- A ironia;
„- A adjectivacao, por vezes, dupla;
„- Registo de lingua familiar e popular (com sentido ironico e critico ou como forma de traducao do estrato social das personagens);
„- A inclusao de um discurso argumentativo e reflexivo.
A CRITICA
Memorial do Convento e um romance que se apresenta como uma critica cheia de ironia ao que se passava na epoca, inicio do seculo XVIII. E criticada a opulencia do rei e da nobreza, por oposicao a extrema miseria do povo.
A satira esta presente nos casos de adulterio e corrupcao de costumes. Surge a critica a mulher que entre duas igrejas foi encontrar-se com um homem, a uns tantos maridos cucos que sao ingenuos ou que fingem se-lo. (Cap.III, p. 31) Nas classes altas nao escapam a critica os frades que levam as mulheres para dentro das celas e com elas se gozam (Cap. VIII, pp.83/84) nem o proprio rei que considera que as freiras o recebem nas suas camas (Cap. XIII, p.156).
Ha uma constante denuncia dos metodos usados pela Inquisicao e da repressao exercida sobre o povo, mas tambem uma critica a esse povo que dancava em volta das fogueiras onde se queimavam os condenados e que assistia aos autos-de-fe como se fosse um divertimento comparavel as touradas.
Em Mafra, a satira abrange a situacao dos trabalhadores que sao tratados como tijolos. E criticado o rei que manda recrutar os homens validos sem contemplacoes nem humanidade e tambem o principe D. Francisco que se entretem a espingardear os marinheiros so para se divertir e quer seduzir a cunhada para chegar ao trono.
No romance, entrelaçam-se os dados históricos com os ficcionais e são estes que vão dar maior encanto
à narrativa.
O lado histórico
A história passa-se no século XVIII. Começa por volta de 1711, três anos após o casamento do rei D. João V com D. Maria Ana Josefa de Áustria. Termina em 1739, vinte e dois anos depois, quando se realiza um auto-de-fé em que morre António José da Silva. Os acontecimentos e as personagens são reais, as datas respeitam o que se passou na época.
As referências ligadas ao Convento de Mafra, na realidade correspondem à verdade histórica, por exemplo, a bênção da primeira pedra do Convento, cujas cerimónias tiveram início no dia 17 de Novembro de 1717.
Factos que são considerados históricos por poderem ser comprovados em livros e crónicas da época:
A indecisão do rei quanto ao número de frades;
O voto de D. João V que originou a construção do convento;
A matéria-prima e os artistas que vieram de vários países da Europa e do Brasil;
O desejo do rei de que a cerimónia da sagração coincidisse com o seu aniversário;
O trabalho que foi exigido aos operários para que os prazos fossem cumpridos;
O recrutamento obrigatório feito a nível nacional;
A origem das pedras de Pêro Pinheiro;
O casamento dos infantes portugueses e espanhóis;
O músico italiano Domenico Scarlatti que veio para Portugal para dar lições à infanta D. Maria
Bárbara;
Os autos-de-fé e as perseguições levadas a cabo pela Inquisição;
A construção da passarola pelo padre Bartolomeu de Gusmão.
O lado ficcional
O narrador, consciente de que só as pessoas das classes altas se imortalizam na História, tenta
individualizar o maior número de elementos pertencentes ao povo para que também sejam lembrados e
assim se faça justiça. Assim se explica a referência aos trabalhadores Francisco Marques, Manuel milho,
Álvaro Diogo, João Francisco, José Pequeno, Joaquim Rocha, Julião Mau -Tempo.
Outras personagens ficcionais sao:
Sebastiana Maria de Jesus - mae de Blimunda, degredada para Angola;
Alvaro Diogo e Ines Antonia - irma e cunhado de Baltasar;
Joao Francisco e Marta Maria - pais de Baltasar;
Joao Elvas - antigo soldado amigo de Baltasar;
Baltasar e Blimunda - casal amoroso cuja relacao plena de magia nos faz aderir a sua forma de estar na vida. Sao eles tambem os construtores da passarola criando um espaco de evasao do real e ajudando a materializar um sonho.
Ha factos historicos que sao relatados e simultaneamente envolvidos com aspectos ficcionais. Bartolomeu de Gusmao e uma dessas personagens que, apesar de ser historica e ter realmente existido, aparece na obra com aspectos ficcionais que envolvem a construcao da passarola e a sua amizade com Baltasar e Blimunda. A passarola de Bartolomeu de Gusmao entra no plano da ficcao ao ser movida pelas 'vontades' recolhidas por Blimunda.
O NARRADOR. LINGUAGEM E ESTILO
No romance Memorial do Convento o narrador e, geralmente, heterodiegetico, ou seja, trata-se de uma entidade exterior a historia que assume a funcao de relatar os acontecimentos.
O narrador tem um conhecimento absoluto dos eventos e fornece, sobre eles, as informacoes necessarias para que a historia se revista de uma coerencia intrinseca, facultando as relacoes logicas, ao nivel da diegese.
O tipo de focalizacao predominante na obra e omnisciente. Ao longo da obra esta presente um narrador que nao e participante, e omnisciente e a sua presenca torna-se bem visivel estabelecendo uma comunicacao activa com o leitor.
O narrador encontra-se dentro do romance criticando, explicando, sentenciando.
Sao marcas do estilo de Saramago:
- A satira, com recurso a ironia, a linguagem depreciativa e humoristica, a subversao de citacoes biblicas e de proverbios;
- A ruptura com as regras de pontuacao introduzindo um peculiar discurso directo sem utilizar os sinais graficos ao abolir os dois pontos, os travessoes e o ponto de interrogacao e ao utilizar a maiuscula apos uma virgula;
- A presenca do narrador - autor com comentarios, apartes e frases sentenciosas,
- A intertextualidade frequente com Os Lusiadas de Luis de Camoes;
- O uso de formas verbais no presente, no futuro e no gerundio;- Utilizacao do paralelismo de construcao e do polissindeto;
- A enumeracao;
„- A metafora;
„- A ironia;
„- A adjectivacao, por vezes, dupla;
„- Registo de lingua familiar e popular (com sentido ironico e critico ou como forma de traducao do estrato social das personagens);
„- A inclusao de um discurso argumentativo e reflexivo.
A CRITICA
Memorial do Convento e um romance que se apresenta como uma critica cheia de ironia ao que se passava na epoca, inicio do seculo XVIII. E criticada a opulencia do rei e da nobreza, por oposicao a extrema miseria do povo.
A satira esta presente nos casos de adulterio e corrupcao de costumes. Surge a critica a mulher que entre duas igrejas foi encontrar-se com um homem, a uns tantos maridos cucos que sao ingenuos ou que fingem se-lo. (Cap.III, p. 31) Nas classes altas nao escapam a critica os frades que levam as mulheres para dentro das celas e com elas se gozam (Cap. VIII, pp.83/84) nem o proprio rei que considera que as freiras o recebem nas suas camas (Cap. XIII, p.156).
Ha uma constante denuncia dos metodos usados pela Inquisicao e da repressao exercida sobre o povo, mas tambem uma critica a esse povo que dancava em volta das fogueiras onde se queimavam os condenados e que assistia aos autos-de-fe como se fosse um divertimento comparavel as touradas.
Em Mafra, a satira abrange a situacao dos trabalhadores que sao tratados como tijolos. E criticado o rei que manda recrutar os homens validos sem contemplacoes nem humanidade e tambem o principe D. Francisco que se entretem a espingardear os marinheiros so para se divertir e quer seduzir a cunhada para chegar ao trono.
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